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Uma questão de estilo

Indeciso quanto ao modelo do seu próximo iate? Ou de sua próxima Mercedes? Ah, desculpe, quer uma análise dos principais modelos de helicóptero! Seus problemas acabaram!!! É só passar nas bancas - de preferência dos Jardins, Morumbi ou similares - e adquirir a última edição da S.A.X. Magazine. A bagatela de19 reais até vale a pena, uma vez que a tiragem é trimestral. A edição nº 5, em análise, é de setembro/outubro/novembro (no site ainda está a edição nº 4).
Encabeçada pela publisher - advogada e proprietária da Dancca Comunicação - Camilla Schahin, a revista tem como editores Edwaldo Pacote (ex-diretor da Globo e assessor de Boni) e Alex Solnik (Realidade, Ex-, Interview, Sexy, escritor) dupla que já encabeçou a Sras&Srs. Aliás, Solnik apareceu recentemente na mídia após sua esposa, Dóris Giesse, cair da janela do apartamento - 8º andar - e sobreviver. Aliás foi uma entrevista (e algo mais) com Dóris, para a Sexy, que marcou a carreira de ambos, em 1994.
De volta para a S.A.X. É óbvio que se trata de uma revista de luxo. Em entrevista para o Observatório da Imprensa, Camilla considera: "Não acredito, portanto, que luxo e intelectualismo sejam universos excludentes; até pelo contrário. Riqueza não é só ter. É saber". De qualquer forma, a publicidade é das melhores. A primeira é de um iate, a segunda, na seqüência, da nova Mercedes C3, mais uma, mais outra, todas em página dupla (contou quantas? Já foram 8 páginas). Finalmente uma página com a linha de óculos da Ana Hickman e o editorial, intitulado "bilhete ao leitor". Aí começa a revista (para alguns, talvez termine...).
O papel é ótimo, a qualidade de impressão e diagramação também. Além de saber o que há de melhor na programação em São Paulo, Nova York, Paris e Londres, o leitor poderá saber um pouco mais sobre os bastidores do último O Aprendiz, em uma entrevista com o vencedor, Tiago Aguiar. Também conhecerá um pouco mais sobre a ex-primeira dama Hillary Clinton.
Duas matérias merecem destaque. Alex Solnik entrevista Daniel Filho e Ferreira Gullar escreve sobre Oscar Niemeyer. Nas duas, o toque pessoal sobrepõe-se ao que poderia ser chamado de técnica jornalística. A entrevista de Solnik é praticamente um bate-papo entre amigos. E Gullar expõe sua emoção através da construção das frases e memórias. Isso me fez pensar no que a a faculdade de jornalismo, muitas vezes, faz com o futuro profissional: o torna medíocre, com medo de inovar, de ser ele mesmo. Tal qual a cineasta italiana Maria Teresa Camoglio, uma das professoras da Academia de Cinema e Televisão de Berlim, afirma - também em matéria da S.A.X., escrita por Theo Solnik (já vi este sobrenome antes...): "(...) o turbilhão de informações ao qual os estudantes são expostos no primeiro ano de estudo é causador de uma confusão criativa, que acaba ofuscando a intuição que se tinha antes de entrar para a Escola".
A matéria de capa desta edição é sobre o grafite, destaque para Paulo César Silva, o Speto. Não só o grafite das ruas, mas aquele que hoje é objeto de exposições nos EUA e na Europa. Ah! No site do grafiteiro - com tradução em inglês - pode ser feita a encomenda de seus trabalhos (como o exemplo da foto que abre o post de hoje).
Enfim, o leitor mais, digamos, humilde, não fica fora do rol de produtos da revista. O produto mais barato que encontrei foi o Tea Tree Body Bar, um sabonete para pele masculina, da Paul Mitchell, por R$ 21, na seção "nécessaire". Já o mais caro (com preço) é o relógio Calibre 370 (foto) de Parmigiani Fleurier, em ouro 18-carat branco, com cristais de safira e apenas 50 exemplares, sob encomenda, mediante míseros 220 mil dólares, encontrado na seção "bricabraque".

Capa da Semana
Pela segunda vez Porto Rico ganha a capa da semana, desta vez com o jornal Primera Hora. Novamente a primeira página ilustra questões similares às brasileiras. A primeira vez foi sobre a dengue. Agora, sobre as operadoras de celular.

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