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Partidos, partidarismos e coberturas

COBERTURA ELEITORAL
Doses de ceticismo responsável
Por Alberto Dines em 28/9/2010

Em meio a tantas certezas, tanta exaltação e tanto fanatismo, que tal estas hipotéticas questões: e se o governo e a mídia estiverem igualmente errados?

O que aconteceria se Sócrates ressuscitado descesse de paraquedas na Praça dos Três Poderes, Brasília, DF, para lembrar ao presidente Lula que na sua lapela está sempre a miniatura do brasão da República brasileira e não a de um partido político? E se o pai da filosofia, mártir da liberdade de pensar, se voltasse para o reportariado aglomerado à sua volta e proclamasse que a verdade para ser aceita precisa soar como verdadeira?

Serenariam os ânimos? Uma coisa não deve ser esquecida, bravos guerreiros: o país cansou de rupturas. O vale-tudo, hoje, vale nada. É coisa de "paiséco", republiqueta.

Amarelo e marrom

Quem tem razão é este maravilhoso exemplar da alma latino-americana chamado José Mujica, presidente da República Oriental do Uruguai. Perguntado pelo repórter da Veja (29/9, págs. 19-23) sobre o que deve fazer um governante quando é criticado pela imprensa, ponderou:

"[Deve fazer] Nada. Deve suportar. Se reagir perde duas vezes, porque será atacado de novo. Tem de olhar para o outro lado."

E acrescentou:

        "Jornalistas devem tentar atuar com honra. Depois, cada leitor ou telespectador deve interpretar o que leu ou ouviu. Quanto mais educada e qualificada for a população, maior diversidade haverá de opiniões, o é que muito bom."

E mais:

        "Quando um governo se mostra mais tolerante à diversidade, acaba ajudando a formar uma imprensa respeitosa. Quando radicaliza nas suas políticas, no entanto, aí vai tudo pro diabo. Nesse caso, a imprensa se transforma em uma espada de luta e a coisa fica perigosa."

Sócrates, o filósofo redivivo, teria aplaudido com entusiasmo. Como certamente aprovaria este comentário escrito no Estado de S.Paulo (25/9, pág. A-31) pelo argentino Eduardo Bertoni:

"Os cidadãos estão perdendo a confiança nos meios de comunicação. De um lado, a imprensa é responsável perante o cidadão, motivo pelo qual o estabelecimento de padrões éticos ou profissionais pelo governo deve ser repudiado. Mas, de outra parte, esta perda de confiança beneficia os governos que querem levar à censura ou autocensura.

"Os jornalistas latino-americanos não podem correr o risco de perder a confiança do seu aliado mais natural. Se isso ocorrer, os governos se sentirão livres para agir contra a imprensa. Se essas medidas se consolidarem, não só perderemos um direito fundamental, mas a democracia estará correndo riscos."

Eduardo Bertoni não é jornalista, é um acadêmico, diretor do Centro de Estudos de Liberdade de Expressão da Universidade de Palermo, Buenos Aires. Tocou numa questão crucial que serve à realidade portenha e encaixa-se perfeitamente na situação brasileira: o jornalismo investigativo não pode ser confundido com panfletagem. A apresentação de denúncias tem regras rígidas: primeiro os fatos, depois as inferências. Primeiro a malfeitoria, o malfeitor, depois seus eventuais cúmplices ou protetores.

O inverso é cavilação, diabólico artifício para acender os holofotes antes do circo de horrores. Isso é um tipo de jornalismo que no mundo anglo-saxônico é designado como "amarelo" (yellow press) e aqui escureceu, tornou-se marrom. Uma imprensa que não faz questão de parecer confiável jamais conseguirá mobilizar os leitores em sua defesa.

Ou como disse o presidente-agricultor do Uruguai: jornalistas devem atuar com honra. Honra, no caso, não equivale apenas à probidade, é sinônimo de consciência, de dignidade profissional.

Certezas desnorteadas

O presidente Lula afirmou na entrevista ao portal Terra que tem o direito de tomar partido, fazer propaganda, subir no palanque. Está errado. E com isso legitimou o palanquismo jornalístico.

Mas o presidente estava certo, certíssimo, quando denunciou as poucas famílias que dominam numa mesma região, jornais, rádios e TVs. No entusiasmo retórico, não lembrou do caso da família Sarney, que além de jornais, rádios e TVs é dona do Amapá e do Maranhão inteiros. Neste último controla até o Judiciário, o que lhe garante eterna impunidade. E, não satisfeita com este imenso poder, a família é dona do Legislativo federal.

E por que razão a mídia não destacou a denúncia presidencial que atinge em cheio o seu mais forte aliado político? Porque nossa mídia não quer ouvir falar em desconcentrar os meios de comunicação, mesmo nas cidades de pequeno ou médio porte, e mesmo sabendo que nos Estados Unidos existe há mais de 70 anos uma agência cuja missão primordial é evitar ou neutralizar a propriedade cruzada.

Em meio às desvairadas certezas, falta apenas uma boa dose de ceticismo. Com pitadas de ironia. (Via: Observatório da Imprensa)

Retratos & Reflexos (118)

Gentes da Terra, por Dayvis Malta

Clipe animal

Performance da Banda OK Go.

Humor de 1ª na Segunda (118)


Capa da Semana (117)


Fazia tempo que eu não colocava uma capa de revista por aqui. A novidade da semana fica por conta da recém-lançada Alfa, da Editora Abril, com a primeira edição neste mês de setembro e capa tripla com Galvão Bueno, Marcelo Tas e Daniel de Oliveira. Uma revista mensal "encorpada" (186 páginas), sob a batuta de Kiko Nogueira (ex-Viagem e Turismo, Veja São Paulo, Guia Quatro Rodas):

Impressões

É impressão minha ou o Portal Terra está arrastando uma asinha para a candidata do PT à presidência, Dilma Roussef? Confira a sequência de fotos e os textos dos perfis fotográficos dos presidenciáveis e, se tiver um tempinho, volte aqui e poste seu comentário. Aliás, isso me fez lembrar que espaço igual, tanto em TV, quanto na mídia impressa, nem sempre significa igualdade de cobertura.





Retratos & Reflexos (117)


Artistas conseguem boas imagens e
bons títulos para suas obras.
Percurso, de Pereira Lopes

Orquestra pós-moderna

The iPad Orchestra from Alex Shpil on Vimeo.
Orquestra de iPads.

Humor de 1ª na Segunda (117)

Via: Duke

Capa da Semana (116)

Parece que venda de votos não acontece só aqui...
Jornal Peru.21

Fé de mais

CASO ELIZA SAMUDIO
Os acusados, sempre com a Bíblia na mão
Por Rosiane Rodrigues em 14/9/2010
Em meio ao tumulto da chegada do ex-goleiro Bruno e seu amigo Macarrão (acusados do desaparecimento da jovem Eliza Samudio) ao Rio de Janeiro, há exatas duas semanas, a imagem dos dois segurando, cada um, a Bíblia, não me sai da cabeça. Não quero especular sobre o que aconteceu, se eles são culpados ou inocentes. O que incomoda é imaginar como se dão – e porquê – esses "arroubos de fé" em pessoas acusadas de crimes bárbaros. Pois bem: a história que envolve os três personagens é marcada por insultos à conduta religiosa até ao mais desavisado dos crédulos. Bruno conheceu Eliza em uma das orgias organizadas por Macarrão, a pedido do amigo-jogador; depois que a moça ficou grávida, foi à delegacia acusá-los de sequestro e tentativa de aborto; pouco tempo depois, o país ficou estarrecido diante das declarações de uma das testemunhas que garantiu que Bruno, Macarrão mais não sei quantas pessoas, infligiram sofrimentos à suposta mãe do filho de Bruno, dignos de um filme de terror.

Em nenhum momento a imprensa divulgou uma declaração religiosa de Bruno. Nem antes nem depois do acontecido. Até onde se sabe, as questões da fé não eram uma prioridade para o ex-capitão do time do Flamengo. Isso sem citar o completo desprezo com que os acusados – e o advogado de defesa – lidam com as denúncias de assassinato, estrangulamento, sumiço do corpo, que serviu para banquete de cães... Mas, ao serem transferidos do presídio de Bangu para Belo Horizonte, ainda em julho, Bruno e Macarrão portavam vistosas Bíblias nas mãos. A mesma imagem se repetiu agora, no retorno ao Rio, para a audiência que apura o sequestro de Eliza. (Leia na íntegra no Observatório da Imprensa)

Retratos & Reflexos (116)


Confira outras fotos como esta no

Porre artístico

Quem disse que cerveja não é uma bebida nobre e clássica?
Se você curtiu o vídeo de ontem, aqui vai mais um criativo vídeo
do Mystery Guitar Man, com a revelação ao final que mostra
que o Brasil é um celeiro de talentos.

Humor de 1ª na Segunda (116)

Diversão e talento. Saiba mais sobre o

Capa da Semana (115)

As primeiras páginas dos jornais chilenos, como
do El Mercurio, já esqueceram os mineiros...

Segredos

Para Boni, acordo "Globo Time-Life" foi operação "totalmente ilegal"
Redação Portal IMPRENSA
O emblemático acordo Globo Time-Life, que até hoje é discutido como um dos pontos mais sensíveis da televisão brasileira, é avaliado, mais de 40 anos depois, por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni: "O acordo era totalmente ilegal, no meu ponto de vista. O pessoal do Time-Life era muito responsável e eles tinham ordem de não passar perto da redação para não contaminar o conteúdo, mas de acordo com a legislação brasileira, era ilegal. Era um acordo de assistência técnica: eles construíram o prédio da TV Globo que pagava um aluguel exorbitante, mais ou menos o que acontece hoje com a Record e a Igreja [Universal do Reino de Deus]", avalia o ex-diretor da Globo à revista IMPRENSA em entrevista exclusiva para a edição de setembro (nº 260). [Confira no site da Revista Imprensa]
Se o pessoal da antiga da Globo começar a abrir a boca, muita coisa vai surgir...

Retratos & Reflexos (115)

O outro lado, por Mario Pereira

Olha o lobo

Versão solo de Greg Pattillo para Pedro e o Lobo:

Humor de 1ª na Segunda (115)

Via: Duke

Presente do centenário

Além da festa do centenário, o que a fiel torcida quer mesmo é ver o Timão vencer. E hoje, apesar do susto inicial, o Corinthians garantiu uma vitória com folga sobre o Goiás: 5 x 1. O gostinho da goleada foi maior porque foi a estreia das gêmeas Isabel e Júlia no estádio e, pela primeira vez - inclusive pra mim -, toda a família assistiu a partida no tobogã. Só emoção!!!





Confira os gols:

Capa da Semana (114)


Capa centenária do Estadão.

Centenário

 “À luz de um lampião, na esquina das ruas dos Italianos e José Paulino, no bairro do Bom Retiro, por volta das 20h30 do dia 1º de setembro de 1910, foi fundado o Sport Club Corinthians Paulista”. É o que dizia a placa sob uma réplica do referido lampião, que hoje se encontra na entrada do Parque São Jorge.

Sabe-se, no entanto, que houve várias reuniões até a concretização da idéia dos cinco operários fundadores: Joaquim Ambrósio e Antônio Pereira, pintores de parede; Rafael Perrone, sapateiro; Anselmo Correia, motorista; e Carlos Silva, trabalhador braçal. Em uma delas, feita para a escolha do nome, Ambrósio sugeriu: “Por que não Corinthians?”. Como os outros, ele estava encantado com as exibições do Corinthians Team, o melhor time da Inglaterra, que excursionou ao Brasil em agosto de 1910. Estava batizada uma paixão.

Dado o nome, comprada a bola (na rua São Caetano, por 6 mil réis, arrecadados com uma lista que correu a vizinhança), arranjado o campo (o “lenheiro”, terreno onde, como o nome diz, um vendedor de madeira guardava seu material de trabalho, só faltava jogar. A derrota para o Uniao Lapa, por apenas 1 a 0, foi recebida com festa. Afinal, tratava-se de um adversário já estabelecido na várzea paulistana.

E na várzea o Corinthians viveu seus primeiros dois anos. Até que um dia ela ficou pequena para o clube dos operários, e eles passaram a alimentar o sonho de jogar campeonatos oficiais. Conseguiram, após muita luta. Se em seu primeiro ano na Liga Paulista (1913) o Corinthians não foi bem, em 1914 levantou seu primeiro troféu, e invicto. Em 1916, repetiu a dose, novamente sem derrota.

Quando os dois campeonatos paulistas foram unificados, em 1917, o Corinthians já era grande. Nasceu humilde, como seu povo, mas agora estava pronto para mais e maiores conquistas. 

A história do Corinthians começa assim. Mas, cem anos não se conta em algumas linhas. Por isso, viaje pelo site oficial na trajetória do Timão e curta a continuidade do histórico acima. Para os mais fanáticos, dia 31 de agosto foi o lançamento da Bíblia do Corintiano, de Celso Unzelte (confira entrevista com o autor). E também vale a pena Uma história Corintiana contada por André Kfouri.

Retratos & Reflexos (114)

Festa alvinegra no Morumbi. Foto de Mario Rodrigo.

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