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Cristianividade

Saia do
Venha discutir artes, criatividade e cristianismo no
Todas as segundas-feiras de novembro, no auditório da
Livraria Cultura - Shopping Market Place
(Avenida Chucri Zaidan, 902 - Morumbi)
Início às 19h.

5 de novembro
Tema: Artes, Cultura e Cristianismo. Onde estamos?
Palestrante: Volney Faustini
Pocket-show: Jorge Camargo
Moderação: Nelson Bomilcar

12 de novembro
Tema: O cristão e a arte multifacetada
Palestrantes: Gerson Borges e “Wolô” Boruszewski
Pocket-show: Gerson Borges
Moderação: Sérgio Pavarini

19 de novembro
Tema: Teatro cristão. Ficção ou realidade
Palestrantes: Carlos Eduardo Pereira e Wilson Tonioli
Pocket-show: Glauber Plaça
Moderação: Sérgio Pavarini

26 de novembro
Tema: Artes, Cultura e Cristianismo. Caminhos possíveis
Palestrantes: Carlinhos Veiga e Wagner Archela
Pocket-show: Carlinhos Veiga
Moderação: Nelson Bomilcar

Confira a programação completa
Realização: W4Editora
(1ª ilustração: Wilson Tonioli - Verticontes)

MIB

Não, eu não vou escrever sobre cinema, sobre os Homens de Preto. Hoje é dia de música. Aliás, estou a caça dos CD's de Os Mulheres Negras, "grupo" da década de 80, com André Abujamra e Maurício Pereira. Se alguém encontrar um por aí, não esqueça de me avisar.
Como não encontrei o material para lançar no PodCast - e geralmente só coloco material meu e não baixado da Internet - quem não caça com cão... caça com Cama de Gato. Escolhi uma música de uma fase intermediária da banda, já sem os teclados de Rique Pantoja, mas ainda influenciada por ele, que é o autor da música (Arpoador, do CD Dança da Lua - gravado em 92 e lançado em 93).
Um fantástico grupo de Música Instrumental Brasileira, o Cama de Gato teve início em 1982, com Paschoal Meirelles na batera, Mauro Senise nos sopros (flautas e saxofones), Rique Pantoja no teclado e Arthur Maia no contra-baixo (discípulo de seu tio, Luizão Maia).
Com a saída de Pantoja, assumiu as teclas Jota Moraes, ao mesmo tempo em que o grupo acrescentou Mingo Araújo, na percussão. Uma das últimas modificações foi a entrada de André Neiva, no lugar de Arthur Maia.

Happy Hour

Depois de uma semana intensa, fechei a sexta-feira com chave de ouro. Fui assistir o programa Fim de expediente, ao vivo, no Teatro Eva Herz, fruto da reforma da Livraria Cultura do Conjunto Nacional.
O programa é apresentado todas às sextas-feiras, às 19 h, pelo ator Dan Stulbach, que conta com a participação do escritor José Godoy e do economista Luiz Gustavo Medina, seus "amigos de infância", como contou ontem ao DoxaBrasil, depois do programa. A cumplicidade e a amizade permitem que o programa não siga um roteiro fechado, apenas os blocos pré-estabelecidos e o bate-papo com o convidado, afirmou Stulbach.
A experiência de fazer o programa com público - o teatro, com capacidade para 166 pessoas, estava super lotado, com pessoas sentadas no chão - é única, pois a energia é completamente outra do que fazer o programa nos estúdios.
O convidado desta sexta especial foi o Jô Soares e você poderá conferir, em breve, a íntegra do programa na página do programa no site da CBN. Também pode conhecer um pouco do trio - e de suas idéias - no blog do Fim do Expediente.
É uma pena que não tenhamos mais programas de rádio ao vivo e com a participação do público.

Uma questão de estilo

Indeciso quanto ao modelo do seu próximo iate? Ou de sua próxima Mercedes? Ah, desculpe, quer uma análise dos principais modelos de helicóptero! Seus problemas acabaram!!! É só passar nas bancas - de preferência dos Jardins, Morumbi ou similares - e adquirir a última edição da S.A.X. Magazine. A bagatela de19 reais até vale a pena, uma vez que a tiragem é trimestral. A edição nº 5, em análise, é de setembro/outubro/novembro (no site ainda está a edição nº 4).
Encabeçada pela publisher - advogada e proprietária da Dancca Comunicação - Camilla Schahin, a revista tem como editores Edwaldo Pacote (ex-diretor da Globo e assessor de Boni) e Alex Solnik (Realidade, Ex-, Interview, Sexy, escritor) dupla que já encabeçou a Sras&Srs. Aliás, Solnik apareceu recentemente na mídia após sua esposa, Dóris Giesse, cair da janela do apartamento - 8º andar - e sobreviver. Aliás foi uma entrevista (e algo mais) com Dóris, para a Sexy, que marcou a carreira de ambos, em 1994.
De volta para a S.A.X. É óbvio que se trata de uma revista de luxo. Em entrevista para o Observatório da Imprensa, Camilla considera: "Não acredito, portanto, que luxo e intelectualismo sejam universos excludentes; até pelo contrário. Riqueza não é só ter. É saber". De qualquer forma, a publicidade é das melhores. A primeira é de um iate, a segunda, na seqüência, da nova Mercedes C3, mais uma, mais outra, todas em página dupla (contou quantas? Já foram 8 páginas). Finalmente uma página com a linha de óculos da Ana Hickman e o editorial, intitulado "bilhete ao leitor". Aí começa a revista (para alguns, talvez termine...).
O papel é ótimo, a qualidade de impressão e diagramação também. Além de saber o que há de melhor na programação em São Paulo, Nova York, Paris e Londres, o leitor poderá saber um pouco mais sobre os bastidores do último O Aprendiz, em uma entrevista com o vencedor, Tiago Aguiar. Também conhecerá um pouco mais sobre a ex-primeira dama Hillary Clinton.
Duas matérias merecem destaque. Alex Solnik entrevista Daniel Filho e Ferreira Gullar escreve sobre Oscar Niemeyer. Nas duas, o toque pessoal sobrepõe-se ao que poderia ser chamado de técnica jornalística. A entrevista de Solnik é praticamente um bate-papo entre amigos. E Gullar expõe sua emoção através da construção das frases e memórias. Isso me fez pensar no que a a faculdade de jornalismo, muitas vezes, faz com o futuro profissional: o torna medíocre, com medo de inovar, de ser ele mesmo. Tal qual a cineasta italiana Maria Teresa Camoglio, uma das professoras da Academia de Cinema e Televisão de Berlim, afirma - também em matéria da S.A.X., escrita por Theo Solnik (já vi este sobrenome antes...): "(...) o turbilhão de informações ao qual os estudantes são expostos no primeiro ano de estudo é causador de uma confusão criativa, que acaba ofuscando a intuição que se tinha antes de entrar para a Escola".
A matéria de capa desta edição é sobre o grafite, destaque para Paulo César Silva, o Speto. Não só o grafite das ruas, mas aquele que hoje é objeto de exposições nos EUA e na Europa. Ah! No site do grafiteiro - com tradução em inglês - pode ser feita a encomenda de seus trabalhos (como o exemplo da foto que abre o post de hoje).
Enfim, o leitor mais, digamos, humilde, não fica fora do rol de produtos da revista. O produto mais barato que encontrei foi o Tea Tree Body Bar, um sabonete para pele masculina, da Paul Mitchell, por R$ 21, na seção "nécessaire". Já o mais caro (com preço) é o relógio Calibre 370 (foto) de Parmigiani Fleurier, em ouro 18-carat branco, com cristais de safira e apenas 50 exemplares, sob encomenda, mediante míseros 220 mil dólares, encontrado na seção "bricabraque".

Capa da Semana
Pela segunda vez Porto Rico ganha a capa da semana, desta vez com o jornal Primera Hora. Novamente a primeira página ilustra questões similares às brasileiras. A primeira vez foi sobre a dengue. Agora, sobre as operadoras de celular.

Na trilha

Ontem consegui assistir a pelo menos um filme da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que começou em 19 outubro e vai até o dia 1º de novembro. O filme escolhido foi Otávio e as Letras, direção de Marcelo Masagão e com os atores Donizete Mazonas, Arieta Corrêa e Fábio Malavoglia, nos papéis principais.
É um filme denso, não tanto quanto Nós que aqui estamos por vós esperamos, nem tão maluco quanto 1,99 - Um Supermercado que vende palavras, outros filmes de Masagão. Em Nós que aqui estamos o diretor traçou perfis biográficos reais e ficcionais para contar a história do século XX, segundo ele procurando "discutir a banalização da morte e por correspondência direta, da vida". 1,99 é uma verdadeira viagem. Já Otávio apresenta um obsessivo compussivo, que procura livros e gravuras em sebos, consultórios, panfletos, etc, alterando, compondo e municiando suas "bombas de papel". Otávio é vizinho de Clara, que faz de sua máquina fotográfica um instrumento de voyeurismo do cotidiano feminino dos prédios ao seu redor. Fechando a tríade principal, Arthur é um taxista fissurado em mapas (seu táxi é um tanto quanto peculiar) e que gosta de fotografar localidades de São Paulo, sem a presença humana.
Enquanto Nós que aqui estamos e 1,99 não têm locução, nem depoimentos dos personagens, Marsagão conseguiu construir alguns diálagos em Otávio, alguns até mesmo bem humorados. Em todos esses filmes a trilha sonora fica por conta do belga Wim Mertens e dos estratégicos silêncios, efeitos sonoros e ruídos ambientes.
Como terça-feira é o dia musical do DoxaBrasil, foi justamente ouvindo Otávio e as Letras, que parei para pensar na importância da trilha musical. Lembrei de Jerry Goldsmith, com as trilhas dos Waltons, Alien, Poltergeist e Rambo. Há muitos outros, mas particularmente gosto do fantástico Henry Mancini, compositor de trilhas marcantes como o Tema de amor de Romeu e Julieta, Baby Elephant Walk (no Brasil, O Passo do Elefantinho) e a trilha do filme The Pink Panther Theme (A Pantera Cor-de-rosa). O talento de Mancini pode ser medido pelas premiações. Ganhou 20 dos 72 Grammy que concorreu. E levou 4 dos 18 Oscar a que foi indicado. Mancini nasceu em 16 de abril de 1924. Era filho de um flautista e aos 12 anos começou a tocar piano, tornando-se, logo em seguida, arranjador. Faleceu em 14 de junho de 1994.
A música que você ouve esta semana é o Tema de A Pantera Cor-de-Rosa, com seus metais maravilhosos e uma linha de contrabaixo sensacional, que foi composta para a abertura do filme de 1963, que ganhou destaque, também, pela brilhante atuação do ator Peter Sellers, no papel do inspetor Clouseau. A direção foi de Blake Edwards, que também dirigiu Bonequinha de Luxo (1961) e Vítor ou Vitória? (1982), entre outros.
Curiosidade: A "pantera cor-de-rosa" do título referia-se a uma jóia, mas ficou marcada pelo desenho animado que abria o filme.

Em tempo
Ainda sobre a 31ª Mostra, havia comprado meu ingresso com antecedência, para não ter maiores problemas. Também cheguei antes, mas não havia nem fila na entrada para Otávio e as Letras. Acredito que não tenha alcançado metade da lotação da bonita e espaçosa sala 1 do Cine Bombril. Mas, qual não foi minha surpresa, quando terminou a exibição do filme, ao deparar com uma pequena confusão, de câmeras, microfones e pessoas para todos os lados. Era, nada mais, nada menos, Eduardo Moscovis (foto), prestigiando seu filme, Sem Controle, primeiro longa sob direção de Cris D'Amato. Nada como um empurrãozinho global para estimular a cultura... As filas eram imensas (lugares disputados) e as tietes davam pulos, querendo furar um cordão de isolamento. Eu caí de cara na cena e aproveitei para dar um clique com a câmera do celular.

Padocas

Pão com manteiga na chapa, croissant, misto quente, sucos diversos, petit fours. Eu sou fã de uma padaria. Sempre que mudo de região no serviço, já faço um reconhecimento de área para descobrir onde está a padoca mais próxima. Hoje, vou escrever sobre algumas das minhas padarias favoritas:

Santa Efigênia
Esta padaria foi inaugurada em 1956, quando a região central ainda era nobre. Hoje a rua é conhecida pelos eletrônicos, artigos para computador e iluminação e por ser uma região deteriorada, embora em processo de recuperação. A padaria fica no começo da rua Santa Ifigênia, bem próximo à igreja de mesmo nome. Além da parte de pães e doces e da lanchonete, também tem um restaurante por quilo.
Destaques: Sanduíche Italiano - Salame, mussarela de búfala, tomate seco e manjericão no pão tipo ciabatta ou baguete. Para acompanhar, um suco de limão com hortelã.
Endereço: Rua Santa Ifigênia, 57 - Centro.

Santa Tereza
Segundo consta, esta é uma das padarias mais antigas de São Paulo. Está instalada na casa onde morou o Dr. João Mendes de Almeida, juiz e, depois, político - que dá nome à praça e ao Fórum Cível Central. Inaugurada em 1872, recentemente sofreu um grande processo de modernização, com a abertura de um caprichado salão na parte superior.
Destaques: Coxa creme, canja e o Pedrosa, um dos funcionários mais antigos.
Endereço: Praça João Mendes, 150 - Centro.

Polar
Outra padaria tradicional, a Panificadora Polar está no centro de Santana desde 28 de junho de 1928. Minha avó conta do tempo em que descia de bonde e era cliente dessa padaria. Nessa época já era o point da Zona Norte, para comer uma pizza ou tomar sorvete com os amigos.
Destaques: Pizza e a feijoada.
Endereço: Rua Voluntários da Pátria, 1.973 (esquina com a rua Doutor César).

Leão XIII
Na Zona Norte, esta é uma daquelas padarias que você se perde entre as tortas salgadas e doces, rocamboles e quitutes diversos. Pizzas e o tradicional frango assado também estão presentes. Para eventos, várias opções de recheios para o pão de metro.
Destaques: Torta de frango com palmito, torta de ricota e os rocamboles.
Endereço: Rua Sóror Angélica, 449 - Casa Verde.

Gran Royalle

Ainda na Zona Norte, esta padaria está localizada entre um mar de prédios e o Campo de Marte. Tem a companhia de um simpático Fran's Café de um lado, de uma Blockbuster, do outro, e de uma farta banca de jornais, à frente. Ou seja, é um ótimo ponto de parada, a qualquer hora do dia. Além do mais, como a avenida está sempre movimentada, a padaria paga meia hora de estadia no estacionamento ao lado.
Destaques: Café da manhã self-service e ampla variedade de doces e salgados.
Endereço: Avenida Brás Leme, 2335 - Santana.

Benjamim Abrahão
Esta padaria descobri nos meus tempos de Mackenzie. É daquelas que a pessoa engorda só de passar na calçada. O cheiro atrai qualquer um que passar por perto. E, depois de fisgado, a variedade de pães é de deixar tonto. Fundada em 1987, no chique bairro de Higienópolis, seu nome real é Mundo dos Pães. À sua frente, estava o sempre simpático Benjamim Abrahão, falecido em 2001. Atualmente o negócio está nas mãos de suas filhas, genros e 4 netos.
Destaques: É difícil destacar uma coisa só. Talvez, a criatividade seja um ponto interessante, ao fazer pães nos mais diversos formatos.
Endereço: Rua Maranhão, 220 - Higienópolis (atualmente presente na praça de alimentação do Mackenzie e da PUC). A qualidade também está presente na Rua Armando Penteado, 33 (Higienópolis) com o nome de Barcelona Pães e Doces, inaugurada em 1976.

Campos Elíseos
Outra padaria na região central, está na esquina das alamedas Nothman e Barão de Limeira. No horário de almoço, durante a semana, fica lotada. O café da manhã - aos finais de semana e feriados - vale a pena.
Destaques: Sanduíches na baguete e buffet de café da manhã (sábados, domingos e feriados, das 7 h ao meio-dia).
Endereço: Alameda Barão de Limeira, 872 - Campos Elíseos.

Itiriki Bakery
No centro da área oriental de São Paulo - o bairro da Liberdade - a Itiriki é uma padaria de chineses, com nome em inglês (Bakery = padaria) e especialidades japonesas e brasileiras! A novidade é que nessa padaria você não precisa esperar para ser atendido. É praticamente tudo self-service. Na entrada você pega uma bandeja e, com uma pinça gigante, vai percorrendo o corredor para escolher seus quitutes e bebidas.
Destaques: Doces de feijão, pães de melão, tortinhas doces, pedaços de bolos com tamanhos inacreditáveis. Para acompanhar, sucos com pobá, uma espécie de sagu gigante (foto).
Endereço: Rua dos Estudantes, 24 - Liberdade (próximo à estação de metrô)

Diferencial
Com certeza esqueci de algumas padarias tão boas como as acima. Procurei usar apenas a memória de locais onde fui e gostei. Neste ponto, além de um bom visual (interno e externo) e da qualidade dos produtos, um grande diferencial em qualquer uma delas é o atendimento. Geralmente são aquelas padarias que os clientes tradicionais conhecem os garçons e caixas pelo nome e também são reconhecidos, por funcionários prestativos e simpáticos. Ou seja, não basta oferecer qualidade e variedade nos produtos e fazer uma grande reforma visual pois, se o cliente for mal atendido, tudo vai por água abaixo.

E você?
Você conhece alguma dessas padarias? Qual sua opinião sobre ela? Ah! A sua padaria preferida não foi relacionada? Então deixe seu comentário, de preferência com o endereço da sua padoca, para que eu e os leitores do Doxa possamos passar por lá qualquer dia desses.
Bom, eu ainda não almocei. Fiquei escrevendo e pesquisando tantos sites que fiquei com água na boca. Não resisti. Já estamos terminando de arrumar a família e adivinhe onde vamos almoçar hoje???

A coisa tá quente...

... nos bastidores do Estadão
Com a saída de Cesar Giobbi do jornal O Estado de S. Paulo, em meados de setembro, a página de fof... quer dizer, celebridades, ou melhor, colunismo social, intitulada Persona, estava interinamente com Ubiratan Brasil, um dos editores do Caderno 2. Na última quarta-feira foi decretada sua "morte", quando o espaço foi ocupado por Sonia Racy, com a coluna Direto da Fonte, o que já era previsto. Particularmente, gostei da mudança. A coluna é bem escrita e diversificada - mostra um pouco de tudo, economia, política, artes - mas não deixa de ser superficial, até por ser caracterizada por "notinhas".
O problema é que a saída de Giobbi foi meio nebulosa. Embora o jornal alegue que o jornalista "analisa novos desafios profissionais", ele mesmo negou e afirmou que foi demitido - depois de trabalhar 35 anos no Estadão, 14 deles à frente da coluna Persona.
Há uma outra versão sobre o caso no blog Entrelinhas. Já na coluna de estréia de Sonia Racy, foi publicada a seguinte nota: A Direto da Fonte mudou. Reformulada, amplia seu foco e passa a ser publicada neste espaço, que foi ocupado com competência e elegância, durante 14 anos, por Cesar Giobbi e seu Persona. Giobbi, aliás, está partindo para vôo solo. Monta um site próprio, cuja modelagem está guardada a sete chaves. A ele desejamos toda a sorte do mundo.

... na Bolívia
Cerca de cem manifestantes da cidade boliviana de El Alto saíram às ruas, desde segunda-feira, e destruíram bares e prostíbulos. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, cerca de 50 estabelecimentos teriam sido queimados e destruídos até quarta-feira. Em matéria do dia 17, o Estadão destaca informação da ABI (Agência Boliviana de Informação), segundo a qual um outro manifesto seria organizado pela parte mais afetada: As meretrizes ameaçaram caminhar nuas até a sede do governo porque viram suas fontes de trabalho afetadas.

Brasileiros

Sou daqueles que se perdem (e perdem a hora) em bancas de jornais, livrarias, sebos e afins. E é perceptível a quantidade de novas publicações que surgem, para os mais variados gostos e estilos. Recentemente escrevi sobre a Piauí. Esta semana, descobri outra revista interessante, a Brasileiros. No site é possível - literalmente - folhear algumas páginas da revista. Requer um pouco de habilidade com o mouse, mas até que é divertido. A revista tem à frente um trio de "superpoderosos": Hélio Campos Mello, Nirlando Beirão e Ricardo Kotscho. A proposta é apresentar reportagens com os personagens ilustres e também com os desconhecidos que constroem a história do dia-a-dia do país, como pode observar-se nos dois trechos de entrevistas abaixo:

Em novembro de 2006, Kotscho foi entrevistado por Paulo Lima, para o Observatório da Imprensa e definia como seria a revista:
No livro [Do Golpe ao Planalto: Uma Vida de Repórter], você escreveu que "o sonho de todo jornalista é fazer um jornal novo". Suponha que você teria essa oportunidade. Como seria esse jornal?
R. K. – Olha só que coincidência: nesse exato momento, junto com dois colegas (Hélio Campos Mello e Nirlando Beirão), que têm a mesma idade e tempo de serviço do que eu, estou trabalhando no projeto de uma revista mensal de reportagem, inspirada na antiga Realidade, a melhor publicação que a imprensa brasileira já produziu. Vai se chamar Brasileiros e tratará exatamente de pessoas e lugares que não estão na mídia. Deve sair no início do próximo ano. Em vez de ficar reclamando da vida e dos salários, carpindo a saudade dos "velhos tempos", resolvemos fazer como o Mino Carta: vamos criar nossos próprios empregos.

Ainda sobre a parceria e sobre a concorrência no setor, Kotscho foi entrevistado por Thais Arbex Pinhata, aluna de jornalismo da Cásper Líbero:
E qual é a equipe [da revista Brasileiros]?
O Hélio Campos Mello, que foi diretor da IstoÉ durante 12 anos, o Nirlando Beirão, que já fez de tudo, e eu. Nos conhecemos quando trabalhamos na Istoé na década de 1970, com o Mino Carta. Nós três, jovens frilas e colaboradores faremos a revista. É assim: alguém manda uma pauta, e se a gente gostar ele já recebe sinal para começar a fazer. A idéia é ter muitos colaboradores.
As comparações com a piauí têm fundamento?
Não tem nada a ver. Eu não sei de onde tiraram isso. A piauí é completamente diferente. É uma revista de texto, de ensaios, quase não tem fotografias. O projeto gráfico é completamente diferente. Tem muitas matérias traduzidas. Nós não vamos ter nada disso. O formato da nossa revista, cujo o projeto gráfico é do Hélio de Almeida, será mais próximo do que foi a Realidade. A Brasileiros será o avesso, exatamente o contrário da piauí.

Outro lançamento
Agora, resta arrumar tempo (e dinheiro...) para ler, afinal temos material bom e disponível. E, falando em lançamentos, também chegou às bancas nesta semana a revista Cristianismo Hoje. Embora o site ainda esteja um pouco pesado/lento, é possível ter uma idéia da linha editorial. Segundo informa, a revista "tem uma parceria com o grupo Christianity Today International, fundado em 1956 e um dos mais importantes grupos de mídia cristã impressa e virtual do mundo com 11 revistas e 28 sites de conteúdo". Confira a versão on line americana da revista.
A versão impressa da primeira edição tem boas matérias, artigos e entrevistas, como a realizada com o escritor Max Lucado. Aguardarei ansioso a próxima coluna do Carlo Carrenho, intitulada Os outros seis dias, que promete ser um diferencial na revista, juntamente com o PavaZine#, do Sérgio Pavarini. No mais, a revista é bastante segmentada, com orientação clara para o leitor evangélico (isso eu não acho tão legal). Como crítica, observo alguns pontos:
1. Chama a atenção a chamada de capa para uma matéria sobre homossexualismo. O problema é que o termo "homossexualismo" vem sofrendo, pela onda do politicamente correto, uma alteração para homossexualidade. Isso porque em 17 de maio de 1993 a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o termo "homossexualismo" (indicativo de doença) da Classificação Internacional de Doenças (CID), onde figurava sob o nº 302.0 entre os Desvios e Transtornos Sexuais. A partir da décima revisão, a homossexualidade passou apenas a ser citada no código F66, juntamente com a heterossexualidade e a bissexualidade, entre as ''variações de desenvolvimento sexual". Na versão americana da revista, usou-se o termo "homosexuality", em artigo do próprio Tim Stafford;
2. Ainda sobre a matéria sobre comportamento, não gostei da estética da matéria, já que o fundo preto das duas páginas iniciais (60 e 61) possuem uma fonte pequena que dificulta (cansa) muito a leitura;
3. Erros de revisão são comuns - embora não devessem ser, principalmente em uma revista com periodicidade bimestral. Mas, são um problema maior quando estão em lugares de destaque, o que aconteceu no sub-título (ou linha fina) da matéria Inocentes sob risco, onde está grafada incorretamente a palavra "infanticído". Já que no transcorrer da matéria o termo está correto (ainda bem!), deve ter sido apenas uma falha de revisão, o que também aconteceu no histórico do Ricardo Agreste (página 27), onde um sinal de parêntese ficou solto na frase.

Rapidinhas
* Frustrei minhas expectativas ao assistir alguns trechos do Provocações de ontem, na TV Cultura. Antonio Abujamra deixou o terreno preparado para que José Dirceu montasse seu palanque de defesa. O pior é que o programa ainda terá uma continuação na semana que vem.
* Outro palanque montado com finalidades não muito ortodoxas é o do espaço aberto para Fidel Castro na Caros Amigos. Ainda bem que o entrevistado deste mês vale a leitura da revista. Muito embora eu não entenda algumas posturas (leia-se, jornalísticas) do Paulo Henrique Amorim, admiro seu trabalho. Por exemplo, fiquei surpreso com a forma que ele conduziu a propaganda, quero dizer, a matéria sobre o bispo Edir Macedo, sobre a prisão dele há 15 anos, mas com clara publicidade para o livro lançado - esta semana - sobre o líder da Igreja Universal e empresário à frente da Record. De qualquer forma, na entrevista da Caros Amigos, Amorim expõe um pouco dos bastidores da política, economia e das redes Globo, Bandeirantes e Record. Vale a pena conferir!

Capa da Semana
Já que escrevi um pouco sobre a nova revista Cristianismo Hoje, aí vai a capa da primeira edição:

(Este post foi editado e revisado às 11h00)

Vamos brincar de roda?

No ritmo do mês das crianças, esta semana vou colocar duas músicas infantis no DoxaBrasilOnline.
A primeira que você ouve é da Coleção Palavra Cantada, a música Aniversário (Paulo e Luiz Tatit), do Álbum Canções de brincar, vencedor do Prêmio Sharp de melhor Disco Infantil, em 1996. A parceria de Paulo Tatit e Sandra Peres teve seus primórdios no final da década de 80 e o primeiro trabalho - Canções de Ninar - foi gravado em 1994. De lá prá cá foram 10 álbuns. Nos dias 20 e 21 de outubro, será o lançamento do DVD Pé com Pé, no Auditório do Parque Ibirapuera.
Enquanto o trabalho com a letra é marcante na obra do Palavra Cantada, de outro lado a produção musical é a marca de Hélio Ziskind. Autor de trilhas que ficaram famosas na TV Cultura, como a abertura dos programas Cocoricó, Glub Glub e Castelo Rá-Tim-Bum, este último que você também curte aqui esta semana, faixa do álbum Meu Pé Meu Querido Pé, vencedor do Prêmio Sharp de 1998, como melhor CD Infantil.

Meme
Já que o assunto são as crianças, aproveito para responder a um Meme enviado pelo Jonatas Bueno. A idéia é listar cinco coisas que marcaram a infância. É difícil pensar em apenas cinco, talvez nem sejam as principais, mas aqui vão algumas que eu lembro:
1. Brincar na rua (tranqüilamente);
2. Sítio do Pica-Pau Amarelo;
3. Seriado "A Super Máquina";
4. Vídeogame Atari;
5. Coleção de Historinhas Disney.
Se quiser uma ajuda para tirar o pó da memória, clique aqui.
Para dar continuidade ao Meme, eu indico o Volney.

A volta da Roda dos Expostos?

Acredito que muitos dos leitores que acompanham meu blog e minha história sabem que fui abandonado recém-nascido no hospital e adotado na modalidade "à brasileira", ou seja, extra-judicialmente.
Nas últimas semanas, acontecimentos com recém-nascidos aqueceram a imprensa. Por isso, não vou escrever muito. Gostaria de saber a opinião do leitor do DoxaBrasil sobre o parto anônimo, aquele em que a gestante faz o pré-natal, dá a luz e depois entrega o recém-nascido para adoção, já no hospital, sem precisar se identificar. Segundo veiculado, o Comitê dos Direitos das Crianças das Nações Unidas considera o parto anônimo uma violação ao direito da criança de conhecer sua identidade. Por isso, a Espanha aboliu esta prática da legislação. França, Itália, Alemanha e Bélgica, porém, ainda a adotam. Agora, será que jogar uma vida no rio ou no lixo não é uma violação do direito à vida? É a mesma pergunta que faz Rodrigo da Cunha Pereira, presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família (IBDFAM): "Saber a origem genética é importante. Mas não saber é melhor do que ser jogado no lixo ".
A Roda dos Expostos, do título deste post, faz referência a um artefato de madeira, existente nas paredes, principalmente, das Santas Casas de Misericórdia, onde a mãe (geralmente mães solteiras), do lado de fora, deixava a criança e girava, sinalizando para que alguém, do lado de dentro, pegasse o recém-nascido, cuidasse e encaminhasse para adoção. Embora desativada há muito tempo (década de 50), a Roda ficou conhecida graças à novela Terra Nostra, onde foi colocado o filho da personagem Juliana (Ana Paula Arósio) com o personagem Matheu (Thiago Lacerda).

Leia mais sobre o assunto em:
Especialistas divergem sobre proposta de adoção anônima
Médico que foi abandonado bebê concorda com a proposta

O tema vai ser objeto de debate no VI Congresso Brasileiro de Direito de Família, promovido pelo IBDFAM (entre 14 e 17 de novembro, em Belo Horizonte).

Curioso
Um asteróide está na rota de colisão da Terra e você tem uma hora de vida. O que você faria com seus últimos 60 minutos?
Confira alguns dados desta pesquisa feita pela editora Ziji Publishing, segundo a agência Reuters, para o lançamento do livro Cloud Cuckoo Land, de Steven Sivell.

Esclarecimento: Este seria o post de sábado, porém como estarei em viagem, adiantei para hoje.

Livro "na faixa"

Você tem até o dia 25 de outubro para "correr" no blog Check List e saber como concorrer para ganhar o livro Cristianismo Criativo?, do jornalista Steve Turner.

Meme

Fui convidado pelo Luis Fernando para um meme, a tarefa é a seguinte:

1) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2) Abrir na página 161;
3) Procurar a 5ª frase completa;
4) Postar essa frase em seu blog;
5) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6) Repassar para outros 5 blogs.

Lá vai!
O livro: O suspiro dos oprimidos (Rubem Alves)
A frase: "A humanização da natureza, porém, não é um fato como as pedras e as estrelas".

Agora é com vocês!
Vou convidar para participar o Jonatas Bueno, o Léo, a Jana, o Wilson e a Flaviana.

Água na boca

Os principais jornais paulistas (Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo) não são afetos a muitas modificações e criações. Depois de uma grande reforma gráfica, não houve grandes mudanças, nem apareceram cadernos inovadores.
Um dos últimos lançamentos, o caderno Paladar, do Estadão, completou 2 anos em setembro último. Foram 2 anos de altos e baixos. Algumas edições com sacadas geniais e outras que beiravam o jabá (o grande problema de editorias como viagem e autos, por exemplo). Semana passada, porém, foi uma daquelas edições históricas que os loucos - como eu - costumam guardar em arquivo. A reportagem desvendou desde a confecção dos chocolates M&M, passando pelos bastidores de um grande bufê, como se faz um marzipã, um queijo Grana Padano, até um dos melhores pães italianos da cidade.
Ou seja, há espaço no jornalismo para tudo. Basta o publisher e os acionistas toparem.

Record News
Ainda não consegui assistir muito a programação da nova emissora. Mas, percebi que, tal qual Globo News, repete muitos dos jornalistas da emissora aberta, porém com a diferença que no canal de notícias aparentam mais liberdade, ficam mais soltos, os programas são mais longos. Brito Jr até ganhou um talk show, com direito a caneca na bancada e tudo...
Só ainda não entendi porque a qualidade de imagem é muito melhor na casa da minha avó (que mora em um apartamento no centro paulista e tem uma antena coletiva bem "meia boca") do que em casa, via Net Digital.

Capa da Semana
Não é só no Brasil que se luta contra a dengue. Deu na capa de ontem do El Nuevo Dia, jornal de Porto Rico.

No meio do caminho

O som dessa semana vem de uma banda sensacional. Dave Matthews Band (DMB) teve início em 1991. Em 1993 lançou o primeiro álbum - Remember Two Things. De lá prá cá já foram mais de 20 gravações.
O líder da banda, David John Matthews, nasceu em Johannesburg, África do Sul, onde viveu até os 10 anos de idade, quando seu pai morreu. A família mudou-se para os Estados Unidos, onde, após o colegial, Dave passou a trabalhar como barman. Justamente no bar Miller's que começou a formação da banda, a partir de músicos que ali tocavam.

Curiosidade

Dave foi criado pela tradição Quaker, organização religiosa cujos princípios deram origem, por exemplo, a ONG ambientalista Greenpeace, fundamentado no conceito de bearing witness, algo como "testemunha envolvida", segundo o qual uma pessoa que testemunhe uma injustiça tem a obrigação moral de escolher se deve agir contra ou a favor dessa injustiça.

A Música

Escolhi The stone, do álbum Before These Crowded Streets (1998), que chegou à primeira posição do Billboard no ano do lançamento. Este foi o último álbum produzido por Steve Lillywhite (produtor de Peter Gabriel, Rush, U2, entre outros). O arranjo orquestral desta faixa é de John d'Earth. A tradução abaixo é do site dos fãs brasileiros do DMB.

The Stone

A Pedra

I've this creeping
Suspicion that things here
Are not as they seem
Reassure me
Why do I feel as if
I'm in too deep

Now I've been praying
For some way to show them
I'm not what they see
Yes, I have done wrong
But what I did
I thought needed be done
I swear

Oh unholy day
If I leave now
I might get away
Oh, but this weighs on me
As heavy as stone
And as blue as I go

I was just wondering
If you'd come along
Hold up my head
When my head won't hold on
I'll do the same
If the same's what you want
But if not I'll go
I will go alone

I'm a long way
From that fool's mistake and
Now forever pay
No, run
I will run
And I'll be okay

I was just wondering
If you'd come along
Hold up my head
When my head won't hold on
I'll do the same
If the same's what you want
But if not I'll go
I will go alone

Long way
Bury the past for
I don't want to pay
Oh, how I wish this
To turn back the clock
And do over again

Now I was just wondering
If you'd come along
Hold up my head
When my head won't hold on
I'll do the same
If the same's what you want
But if not I'll go
I'll go alone

I need so
To stay in your arms
See you smile
Hold you close
And now it weighs on me
As heavy as stone and
A bone chilling cold

I was just wondering
If you'd come along

Tell me you will

Eu tenho esta terrível
Suspeita de que as coisas aqui
Não são o que parecem
Me reconforte
Por que me sinto como se
Estivesse fundo demais?

Estive rezando
Por alguma maneira de mostrar a eles
Que não sou o que eles vêem
Sim, eu errei
Mas o que fiz
Achei que devesse ser feito
Eu juro

Oh, maldito dia
Se eu for embora agora
Talvez eu consiga escapar
Oh, mas pesa sobre mim
Pesado como pedra
E triste como vou

Eu estava apenas imaginando
Se você viria comigo
Levantar minha cabeça
Quando ela não se mantiver erguida
Eu farei o mesmo
Se o mesmo for o que você quiser
Mas se não quiser eu irei
Irei sozinho

Estou bem longe
Daquele erro tolo
Agora pagarei para sempre
Não, fugir
Eu fugirei
E ficarei bem

Eu estava apenas imaginando
Se você viria comigo
Levantar minha cabeça
Quando ela não se mantiver erguida
Eu farei o mesmo
Se o mesmo for o que você quiser
Mas se não quiser eu irei
Irei sozinho

Longo caminho
Enterre o passado pelo
Qual não quero pagar
Oh, como eu desejo
Voltar o relógio
E fazer tudo outra vez

Agora eu estava apenas imaginando
Se você viria comigo
Levantar minha cabeça
Quando ela não se mantiver erguida
Eu farei o mesmo
Se o mesmo for o que você quiser
Mas se não quiser eu irei
Irei sozinho

Preciso tanto
Ficar nos seus braços
Te ver sorrir
Te abraçar apertado
E agora pesa em mim
Pesado como pedra e
Um frio de arrepiar os ossos

Eu estava apenas imaginando
Se você viria comigo

Diga que virá

Ultrapassagens

Não sei se minha mente foi simplista demais, mas, ao ler a notícia da morte abrupta de Maria Luísa Rodenbeck nesta semana, imediatamente veio a minha mente o trecho de Lucas 12.13-21, principalmente o versículo 20:

Na versão de Almeida (atualizada):
Mas Deus lhe disse: "Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?"

Na versão NVI (Nova Versão Internacional - em português):
Contudo Deus lhe disse: "Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?"

Na versão NIV (New International Version - em inglês):
But God said to him, "You fool! This very night your life will be demanded from you. Then who will get what you have prepared for yourself?"

E, este trecho me fez lembrar de uma fala do filme Confissões de Schmidt:
O que você vai dizer quando parar, olhar prá trás e se perguntar: "Que diferença eu fiz?"

A primeira vez que ouvi falar no nome de Maria Luísa foi quando da entrada da rede de cafés Starbucks, no Brasil. Foi um esforço pessoal da empresária, uma ex-executiva da United Airlines, da American Airlines e do Outback, rede australiana de restaurantes que ela também trouxe para o Brasil, juntamente com seu marido, Peter Rodenbeck. Este, foi o responsável pela chegada do McDonald's ao país, cujo faturamento atual gira em torno de US$ 600 milhões. O Outback alcança cerca de US$ 70 milhões. E a Starbucks, em apenas 11 meses, já projetava uma trajetória de sucesso.

A vida de Maria Luísa terminou na manhã da última segunda-feira (1º de outubro), segundo testemunhas, em uma ultrapassagem perigosa feita pelo táxi em que ela se dirigia para o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O táxi bateu de frente com um ônibus, ceifando a vida da empresária, então com 49 anos, e do motorista do táxi, aos 51 anos.

Empresária bem sucedida, Maria Luísa conseguiu, depois de negociações que duraram quase dez anos, ultrapassar as barreiras e trazer a Starbucks para o país e, numa última ultrapassagem, sua carreira teve fim. O casal não teve filhos. Sinceramente, não sei se o texto bíblico acima aplica-se à vida dela, pois não conheço aspectos da vida sua pessoal. Mas, levantou uma questão na minha mente. Se ela olhasse para trás, e perguntasse a si mesma "Que diferença eu fiz?" qual seria sua resposta? "Eu trouxe McDonald's, Outback e Starbucks ao país"? Este, pelo menos, foi o obituário das páginas jornalísticas.

Pensando no que Cristo exemplificou e o médico Lucas registrou nos Evangelhos, parece um texto forte. Começa, na parábola (espécie de narrativa ilustrativa moral), praticamente xingando um homem rico que não sabia nem onde guardar tudo o que havia produzido e resolveu construir celeiros maiores, guardar e curtir a vida com os rendimentos obtidos. Coloquei a tradução em inglês porque ela acrescenta "o que você preparou para você mesmo", onde fica claro que ele não pensava no bem comum, mas apenas no bem estar pessoal. Na seqüência, Jesus fala aos discípulos sobre as preocupações da vida. E fecha de uma forma sensacional (Lucas 12.29-31):

Não busquem ansiosamente o que comer ou beber; não se preocupem com isso. Pois o mundo pagão é que corre atrás dessas coisas; mas o Pai sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois o Reino de Deus, e essas coisas lhes serão acrescentadas. (grifo meu)

O interessante é que, em nenhum lugar as Escrituras se opõem ao enriquecimento. O problema é quando as riquezas (ou qualquer outra coisa, seja a família, o trabalho, uma coleção, um hobby, um esporte) viram o "deus" das nossas vidas. Mais interessante ainda é o trecho que eu grifei e nunca tinha parado para pensar sobre isso. Deus sabe que nós necessitamos das coisas, no caso do texto, especificamente o que comer e o que beber, ou seja, as coisas básicas para nossa sobrevivência. Pensando no Sermão do Monte, onde o nosso próximo assume uma importância vital, acredito que o ciclo se fecha.

Independentemente de você acreditar ou não na Bíblia, penso que é o ensinamento prático é pertinente. Se nós pararmos de pensar apenas em nós mesmos quando planejamos um novo negócio, um curso universitário, como aplicar nossas finanças, talvez teremos menos pessoas preocupadas com o que comer, o que beber, o que vestir, graças ao espírito solidário e ao amor ao próximo. Mas, enquanto nós estivermos guardando tudo em nossos próprios celeiros, pensando nos dias da nossa aposentadoria, de uma hora para a outra uma ultrapassagem perigosa pode acabar com nossos sonhos e, como será que escreverão nosso obituário? O que realmente de importante nós fizemos? Que diferença fizemos?

Dica
Conheça o projeto 6EMEIA, e veja artes como a da foto abaixo:

"Jingle Bells, Jingle Bells, acabou..."

Desculpe! Não resisti ao título de total mau gosto, mas ele veio automaticamente depois que li o título de uma nota da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo de 02/10: ""ACABOU O PAPEL". A nota é sobre o fim da versão impressa do Diário Oficial do Poder Judiciário.
O jornal, com quase 80 anos de existência, desde segunda-feira (1º/10) só pode ser acessado pela Internet, através do site www.dje.tj.sp.gov.br. O tribunal vai economizar cerca de R$ 5 millhões por ano e deixar de usar 17 toneladas de papel por dia, volume da tiragem média de 10 mil exemplares. Todas as páginas do Diário da Justiça são assinadas digitalmente, com base em certificado emitido no padrão ICP-Brasil.
O fim do papel no Poder Judiciário também está na instalação do Fórum Digital da Freguesia do Ó, inaugurado no último dia 26 de junho e do Juizado Especial Digital, inaugurado em dezembro de 2006, na estação São Bento, do Metrô.
Como quinta-feira é dia de jornalismo, a partir deste fato ocorrido com o Diário Oficial, fiquei pensando na questão do jornal impresso. Eu, particularmente sou fã do jornal impresso. Sou assinante há quase 20 anos e tento ler o máximo, na medida do possível. E, acabo me sentindo como aqueles saudosistas que ainda mantêm uma vitrola (ou pick-up) e conservam seus Long Plays. Tudo bem, eu também sou desses...
Na verdade, a notícia impressa conseguiu vencer a notícia vinda através das rádios e da TV. Nestas últimas duas, é preciso atenção e, a não ser que você grave o programa, se algo não foi compreendido, perdeu-se. Claro que, com isso, prevaleceu a superficialidade. Com o jornal, não. Tudo é escrito, revisado, editado, reeditado. E também é possível, ao leitor, reler, rever, repensar, comparar. Claro que na Internet isso também é possível, com o adicional de som, imagem e referências a outras matérias através de links. Porém, na minha opinião, a leitura na tela dos computadores ainda é muito cansativa, além de não oferecer uma posição confortável. Por essas e outras, ainda acredito que o jornal impresso sobreviva.
Mas, a evolução tecnológica nos atropela. Já há protótipos de telas maleáveis, no tamanho aproximado de uma folha de jornal ou no tamanho A4, chamado e-paper (e-papel). O que nos permite vislumbrar o que deve vir pela frente. Será que, ao invés de bancas de jornal, teremos postos de download com a última edição. Talvez, até mais de uma edição diária, uma pela manhã, outra à tarde e outra à noite. As possibilidades são infinitas. E, o lugar comum é válido: Quem viver, verá!

O passado no presente
Falando em jornal, um grande processo de digitalização tornará possível a pesquisa do histórico jornal Última Hora que, sobre a batuta de Samuel Wainer, fez história entre as décadas de 50 e 70 do século passado. O projeto é do Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Outros acervos digitalizados:
Revista Time - Super Interessante - O Cruzeiro

Bom de Ângulo
Já que uma jornalista (?) foi capa da Playboy deste mês, graças à importância (??) do fato, também não poderia deixar de ser capa dos principais jornais do país. E, fotos de divulgação à parte, a melhor fotografia foi, sem dúvida, do Bruno Miranda, da Folha, durante a entrevista coletiva de Mônica Veloso. Por isso, rendeu a nossa singela Capa da Semana:

Tudo entregarei - ou - Tudo receberei?

Recentemente, ouvi Mercedes Benz, com Janis Joplin, na rádio e não pude conter um pensamento: "Esse deveria ser o hino oficial de algumas igrejas, inclusive a que está com sede em Miami...". Já anotei e aproveitei para colocar no DoxaBrasil Online esta semana, já que na próxima quinta-feira faz 37 anos que a cantora morreu.

Janis Lyn Joplin nasceu em 19/01/43. Na juventude, destacava-se pela luta a favor da integração racial. A música desta semana faz parte do álbum Pearl, que foi lançado em 1971, após sua morte. Joplin morreu aos 27 anos, em virtude de uma overdose de heroína, em um quarto de motel em Los Angeles. Drogas e polêmica eram uma mistura que fazia parte da vida da cantora, o que dá prá perceber bem em uma matéria da Trip sobre a visita de Joplin ao Brasil, no carnaval de 1970.

Sobre a música, segundo o site oficial da cantora, Joplin nunca recebeu a tal Mercedes. Mas, desfilava com um carro bem ao seu estilo. É o Porsche Cabriolet Super C 1965 da foto abaixo, obra de Dave Richards.

Oh Lord, won't you buy me a Mercedes Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends.
Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
So Lord, won't you buy me a Mercedes Benz?

Oh Lord, won't you buy me a color TV?
Dialing For Dollars is trying to find me.
I wait for delivery each day until three,
So oh Lord, won't you buy me a color TV?

Oh Lord, won't you buy me a night on the town?
I'm counting on you, Lord, please don't let me down.
Prove that you love me and buy the next round,
Oh Lord, won't you buy me a night on the town?

Everybody!

Oh Lord, won't you buy me a Mercedes Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends,
Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
So oh Lord, won't you buy me a Mercedes Benz?

That's it!

[Minha] Tradução livre
Senhor, por que você não me compra uma Mercedes Benz?
Todos meus amigos dirigem Porsches, não posso ficar atrás
Trabalhei duro até aqui, sem ninguém prá me ajudar
Então, Senhor, por que você não me compra uma Mercedes Benz?

Senhor, por que você não me compra uma TV em cores?
"Dialing For Dollars" [programa da TV americana] está tentando me encontrar
Eu espero pela entrega, em até três dias
Então, Senhor, por que você não me compra uma TV em cores?

Senhor, por que você não me compra uma noite na cidade?
Eu conto contigo, por favor, não me deixe na mão
Prove que você me ama e pague a próxima rodada
Então Senhor, por que você não me compra uma noite na cidade?

Senhor, por que você não compra uma Mercedes Benz?
Todos meus amigos dirigem Porsches, não posso ficar atrás
Trabalhei duro até aqui, sem ninguém prá me ajudar
Então, Senhor, por que você não me compra uma Mercedes Benz?

É isso aí!


Versões
Confira a versão feita pelo Lenine com o trompetista Giorgio Li Calzi:


(Fonte: Outra Via)

E assista uma outra versão, "video remix", com banda:
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