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Na trilha

Ontem consegui assistir a pelo menos um filme da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que começou em 19 outubro e vai até o dia 1º de novembro. O filme escolhido foi Otávio e as Letras, direção de Marcelo Masagão e com os atores Donizete Mazonas, Arieta Corrêa e Fábio Malavoglia, nos papéis principais.
É um filme denso, não tanto quanto Nós que aqui estamos por vós esperamos, nem tão maluco quanto 1,99 - Um Supermercado que vende palavras, outros filmes de Masagão. Em Nós que aqui estamos o diretor traçou perfis biográficos reais e ficcionais para contar a história do século XX, segundo ele procurando "discutir a banalização da morte e por correspondência direta, da vida". 1,99 é uma verdadeira viagem. Já Otávio apresenta um obsessivo compussivo, que procura livros e gravuras em sebos, consultórios, panfletos, etc, alterando, compondo e municiando suas "bombas de papel". Otávio é vizinho de Clara, que faz de sua máquina fotográfica um instrumento de voyeurismo do cotidiano feminino dos prédios ao seu redor. Fechando a tríade principal, Arthur é um taxista fissurado em mapas (seu táxi é um tanto quanto peculiar) e que gosta de fotografar localidades de São Paulo, sem a presença humana.
Enquanto Nós que aqui estamos e 1,99 não têm locução, nem depoimentos dos personagens, Marsagão conseguiu construir alguns diálagos em Otávio, alguns até mesmo bem humorados. Em todos esses filmes a trilha sonora fica por conta do belga Wim Mertens e dos estratégicos silêncios, efeitos sonoros e ruídos ambientes.
Como terça-feira é o dia musical do DoxaBrasil, foi justamente ouvindo Otávio e as Letras, que parei para pensar na importância da trilha musical. Lembrei de Jerry Goldsmith, com as trilhas dos Waltons, Alien, Poltergeist e Rambo. Há muitos outros, mas particularmente gosto do fantástico Henry Mancini, compositor de trilhas marcantes como o Tema de amor de Romeu e Julieta, Baby Elephant Walk (no Brasil, O Passo do Elefantinho) e a trilha do filme The Pink Panther Theme (A Pantera Cor-de-rosa). O talento de Mancini pode ser medido pelas premiações. Ganhou 20 dos 72 Grammy que concorreu. E levou 4 dos 18 Oscar a que foi indicado. Mancini nasceu em 16 de abril de 1924. Era filho de um flautista e aos 12 anos começou a tocar piano, tornando-se, logo em seguida, arranjador. Faleceu em 14 de junho de 1994.
A música que você ouve esta semana é o Tema de A Pantera Cor-de-Rosa, com seus metais maravilhosos e uma linha de contrabaixo sensacional, que foi composta para a abertura do filme de 1963, que ganhou destaque, também, pela brilhante atuação do ator Peter Sellers, no papel do inspetor Clouseau. A direção foi de Blake Edwards, que também dirigiu Bonequinha de Luxo (1961) e Vítor ou Vitória? (1982), entre outros.
Curiosidade: A "pantera cor-de-rosa" do título referia-se a uma jóia, mas ficou marcada pelo desenho animado que abria o filme.

Em tempo
Ainda sobre a 31ª Mostra, havia comprado meu ingresso com antecedência, para não ter maiores problemas. Também cheguei antes, mas não havia nem fila na entrada para Otávio e as Letras. Acredito que não tenha alcançado metade da lotação da bonita e espaçosa sala 1 do Cine Bombril. Mas, qual não foi minha surpresa, quando terminou a exibição do filme, ao deparar com uma pequena confusão, de câmeras, microfones e pessoas para todos os lados. Era, nada mais, nada menos, Eduardo Moscovis (foto), prestigiando seu filme, Sem Controle, primeiro longa sob direção de Cris D'Amato. Nada como um empurrãozinho global para estimular a cultura... As filas eram imensas (lugares disputados) e as tietes davam pulos, querendo furar um cordão de isolamento. Eu caí de cara na cena e aproveitei para dar um clique com a câmera do celular.

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