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Superação - Parte IV

Na última terça-feira do ano, para finalizar a série Superação, um pouco da história de um compositor que marcou a história da música. O alemão Ludwig van Beethoven nasceu em 16 de dezembro de 1770. Sua arte marcou a transição do Classicismo (século XVIII) para o período Romântico (século XIX). Neto do regente da Capela arquiepiscopal na corte da cidade de Colônia, aprendeu as primeiras noções de música com seu pai e, aos 9 anos, foi confiado a Christian Gottlob Neefe, para os estudos musicais. Com 11 anos já compunha e, em 1784, foi nomeado segundo organista da capela. Logo em seguida tornou-se violoncelista na orquestra da corte e em 1787 foi enviado para Viena para estudar com Joseph Haydn. Nesta cidade permaneceu até o final da vida.
Beethoven compôs sua primeira sinfonia em abril de 1800, quando já sentia os primeiros sinais de uma perda auditiva severa. Sem sucesso, tentou vários tratamentos e terapias, o que o levou a uma profunda depressão e até a pensamentos suicidas, chegando a redigir, 1802, o Testamento de Heilingenstadt. Porém, algo maior o motivava, o que o levou, mesmo praticamente surdo a finalizar em 1824 a que seria a maior de suas obras-primas: A Sinfonia nº 9 em Ré Maior Op. 125.
Embora não estivesse completamente surdo, Beethoven não podia distingüir nuances e timbres. Mesmo assim, compôs esta sinfonia - provavelmente resultado de quase 20 anos de trabalho - a partir de uma poesia escrita por Friedrich Schiller, Ode an die Freude (Ode - ou Hino - à Alegria), o que representou uma grande inovação, pois pela primeira vez foi inserido um coral em um movimento de uma sinfonia.
A primeira execução desta obra aconteceu em 7 de maio de 1824, no Kärntnertortheater, em Viena (Áustria), sob regência de Michael Umlauf. Em virtude da deficiência auditiva de Beethoven, ele foi convidado a assistir a estréia de sua obra ao lado do maestro. Ainda assim, está registrado que, abstraído na leitura da partitura, o compositor não percebeu o final e os aplausos do público, até o momento em que Umlauf tocou em seu braço e, então, Beethoven agradeceu ao público.
Depois da Nona Sinfonia, Beethoven ainda compôs mais de 40 obras até sua morte, em 26 de Março de 1827, porém a "Nona" foi sua última sinfonia. O quarto movimento desta sinfonia foi escolhido como Hino da União Européia, pela síntese que faz de ideais clássicos ligados ao Humanismo, à Fraternidade, à Liberdade e à Igualdade e, em 12 de janeiro de 2003, passou a fazer parte oficialmente da Memória do Mundo por ser uma obra que, além de seus méritos musicais, se converteu em um hino universal das aspirações de paz e fraternidade.
No DoxaOnline, selecionei o segundo movimento (Molto Vivace), executado pela Orquestra e Coro da Orquestra Filarmônica do Sul da Alemanha, sob regência de Henry Adolph. A obra toda tem cerca de uma hora de duração, sendo que a parte mais conhecida - o quarto movimento - tem quase meia hora. Recomendo sua audição, pois é onde foi inserido o poema do poeta, dramaturgo, filósofo e historiador alemão Friedrich Schiller. Segue uma tradução do trecho, em português:

Baixo
Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!

Baixo. Quarteto e coro
Alegre, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce vôo se detém.

Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
Uma única em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!

Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!

Tenor e coro
Alegremente, como seus sóis corram
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Alegremente como o herói diante da vitória.

Coro
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões se deprimem diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora!

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