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Vamos refletir?


A Semana de Reflexão Teológica terminou na quinta-feira e trouxe um tema profundo:

O desafio de iluminar a metrópole

Infelizmente, só pude comparecer nesta noite de quarta-feira. Mas, foi altamente inspirador e inquietante. A palavra do sociólogo Gedeon Freire de Alencar (mestre em Ciências da Religião - UMESP - e diretor pedagógico do ICEC - Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos em São Paulo) trouxe, como o próprio preletor admitiu, mais questões do que respostas.A pergunta proposta inicialmente para a noite foi:

Como iluminar a metrópole?

O texto base foi Atos 5.1-11, que narra a história do casal Ananias e Safira.
E mais perguntas foram levantadas, entre elas:
- Iluminação só faz sentido com a escuridão?
- O projeto de iluminar a cidade é uma utopia (pura ilusão)?
Gedeon lembrou que a igreja nasceu como um fenômeno urbano, tendo crescido e se solidificado nas cidades. Porém, deve se levar em conta que o modelo de cidades da época da igreja primitiva difere muito do modelo existentes em megalópoles como São Paulo. Naquela época havia uma igreja pobre e cuja estrutura era baseada na economia de subsistência. Porém, o maior diferencial era que, naquele ambiente, "as pessoas eram importantes umas para as outras" e isso era visível para aqueles que não faziam parte dela.
O cristianismo nasce, portanto, baseado na idéia de justiça social e da busca da dignidade humana. Neste ponto, Gedeon destaca a importância do profeta. Ao contrário do que muitos imaginam, o profeta não deve ser visto como um vidente, mas sim como aquele que torna conhecida a profecia. E a profecia, no contexto bíblico, não é a previsão do futuro, mas sim "denúncia ética do momento presente". Para isso, podemos ter o exemplo das advertências do profeta Amós (confira e veja como são muito atuais...).
Assim, quando a sociedade abandona e marginaliza os pobres, torna-se cada vez mais rica e arrogante, em um ciclo terrível. E a igreja, muitas vezes, acaba reproduzindo este modelo social. Por isso, mais uma pergunta:

Que diferença estamos (nós, igreja) fazendo?

A resposta é difícil, mas um caminho foi apontado pelo preletor:
Não devemos ser diferentes por sermos ricos ou por cantarmos bem. Devemos ser vistos como diferentes por respeitar a dignidade das pessoas.
Assim, finalizamos o momento inicial e o grupo foi dividido para dois seminários. Optei pelo seminário sobre Política, sob a coordenação de Patrick Timmer. Conheci um pouco sobre o movimento Fale e pudemos discutir um pouco sobre cidadania, democracia e a importância da nossa participação política (como cidadãos e como cristãos).

Ao juntar os dois momentos, fiquei com algumas inquietações:

1) O quanto eu estou inserido na minha comunidade? Posso dizer que eu a conheço e a amo o suficiente para me importar com ela, valorizá-la e defendê-la? (Nessa pergunta, também podemos substituir o "eu" por "minha igreja"). Pensei nisso ao constatar o quanto estamos em movimento. Moramos em um bairro, trabalhamos em outro, estudamos em outro, freqüentamos a igreja em outro. Às vezes, estamos envolvidos com 3 ou 4 bairros diferentes. E, assim, não temos tempo (e, portanto, nem convívio) para conhecermos os problemas que nos cercam e lutarmos, verdadeiramente, para que sejam solucionados. Optamos - quando o fazemos - por lutar por bandeiras mais gerais, o que me levou para a segunda inquietação:

2) Embora eu acredite na necessidade de grandes ações políticas, ambientais e sociais (o Fale é um bom exemplo), uma ilustração veio à minha mente e coloquei para aqueles que discutiam o assunto: Será que, muitas vezes, queremos ser um holofote no estádio, quando fomos desenhados para ser uma lâmpada no banheiro? Não que os holofotes sejam desnecessários. Mas, acredito que o mundo precisa mais de várias pequenas ações locais que, embora possam permanecer desconhecidas, promovem pequenas mudanças em diferentes pontos e, com o tempo, provocam mudanças gigantescas.

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