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Política, Eleições e Redes Sociais

Na minha adolescência, lembro-me de ficar surpreso com inovações tecnológicas como o videotexto, disponibilizado pela então TELESP (atual Telefonica). Depois, era possível acessar os primórdios da Internet, até então chamada de BBS (Bulletin Board System), quando se destacou Aleksander Mandic.
Tudo isso demorou umas duas décadas. Mas, daí para frente, o avanço e a criação tecnológicas alcançaram uma velocidade inimaginável. Hoje, fala-se em Web 2.0, a ampliação das redes sociais. E eu, que sempre gostei desta área, ainda fico meio perdido quando leio alguma revista sobre informática. Tudo acontece muito rápido.
Polêmicas surgem com o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, com a liberdade dos blogs, o crescimento do Twitter. E, em meio a tudo isso, esta semana fui surpreendido pelo Portal do Governdo do Estado de São Paulo. Primeiro, uma decisão interessante de reunir em um lugar acesso aos principais serviços e informações do estado. Claro que não dá para desvincular de uma finalidade de propaganda eleitoreira. Mas, é uma linha tênue que divide este tipo de propaganda, da divulgação de obras e feitos. Agora, o que me chamou a atenção foi o ícone Redes Sociais. Ao passar o mouse sobre o ítem, é possível ter acesso às páginas oficiais do governo no Twitter, YouTube, Facebook, Flickr e Orkut. Os números não são tão expressivos. No Twitter, até ontem, eram pouco mais de 4 mil seguidores (Marcelo Tas tem mais de 122 mil). Os vídeos do YouTube quase não tem acessos. Por outro lado, José Serra tem quase 20 mil seguidores no seu Twitter, onde fala de futebol, cinema, economia e... um pouquinho de política, mas de uma forma bem pessoal. Se ele tem um ghost twitter writer, não sei.
A prefeitura paulista também passou a utilizar o termo Portal, mas ainda não indica nenhuma rede social oficial, o que acontece, também, no Rio de Janeiro, tanto no governo municipal quanto no estadual. Não verifiquei todos os estados, mas Paraná (e a capital, Curitiba) também não aderiu às redes sociais (pelo menos na página oficial).
Achei um paralelo no governo de Santa Catarina que, embora não indique na sua página, montou um blog - chamado E-GOV Blog - onde são indicados os endereços no Twitter (menos de 100 seguidores), Flickr e Wiki.
A mesma estratégia dos tucanos em São Paulo foi utilizada pelo governo mineiro - de Aécio Neves - que, além de chamar seu portal de Minas On-line, dá destaque às redes sociais no YouTube, Flickr e Twitter (menos de 500 seguidores, até ontem) e tem um adicional, um blog.
Bom, saindo das páginas oficiais de governos, a outra bola da vez - embora muitos digam ser uma candidatura "boi de piranha" (para tirar a atenção do verdadeiro candidato petista) - é Dilma Rousseff, que tem um blog, canal no Twitter (mais de mil seguidores), perfil no Orkut (com o nome de Blog da Dilma Presidente) e, embora não seja um canal oficial, é indicado pelo blog o canal de Tempilun, no YouTube.
E é com Dilma que a Web 2.0 já começa a dar problemas. O perfil da Petrobras no Twitter trouxe link para a campanha da Dilma, segundo O Globo.
Dos pretensos candidatos a presidente, Ciro Gomes ainda não engatou sua campanha virtual. O site indica "previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2009", que acabou na última terça-feira.
Ou seja, Barack Obama faz seguidores no mundo virtual. Prevejo grande trabalho para o TRE na descoberta e punição aos crimes eleitorais. Aliás, a Lei Eleitoral deveria sofrer algumas mudanças, prevendo as inovações tecnológicas. Na verdade, a monitoria da campanha deve ficar em nossas mãos, mesmo. Talvez um caminho para que continuemos a monitorar a conduta dos candidatos, depois de eleitos.

1 Opiniões:

André Egg disse...
1/8/09 12:30 PM

A campanha na Web vai ser um "salve-se quem puder". Não há como fiscalizar. O Blog da Dilma, por exemplo, não é dela, mas de uns "aloprados". E bem ruinzinho, por sinal.

O twitter do Serra é ele mesmo que escreve, pode ver que tem um tom bem pessoal, e ele só tuita de madrugada, sempre explicando que é notívago.

Essa campanha ainda vai engatinhar na web, mesmo porque o acesso aqui ainda é muito menor do que nos EUA. Lá fuincionou bastante como canal de doações individuais, maior diferencial da campanha de Obama, e que não tem nenhuma chance de acontecer aqui.

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