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Fé de mais

CASO ELIZA SAMUDIO
Os acusados, sempre com a Bíblia na mão
Por Rosiane Rodrigues em 14/9/2010
Em meio ao tumulto da chegada do ex-goleiro Bruno e seu amigo Macarrão (acusados do desaparecimento da jovem Eliza Samudio) ao Rio de Janeiro, há exatas duas semanas, a imagem dos dois segurando, cada um, a Bíblia, não me sai da cabeça. Não quero especular sobre o que aconteceu, se eles são culpados ou inocentes. O que incomoda é imaginar como se dão – e porquê – esses "arroubos de fé" em pessoas acusadas de crimes bárbaros. Pois bem: a história que envolve os três personagens é marcada por insultos à conduta religiosa até ao mais desavisado dos crédulos. Bruno conheceu Eliza em uma das orgias organizadas por Macarrão, a pedido do amigo-jogador; depois que a moça ficou grávida, foi à delegacia acusá-los de sequestro e tentativa de aborto; pouco tempo depois, o país ficou estarrecido diante das declarações de uma das testemunhas que garantiu que Bruno, Macarrão mais não sei quantas pessoas, infligiram sofrimentos à suposta mãe do filho de Bruno, dignos de um filme de terror.

Em nenhum momento a imprensa divulgou uma declaração religiosa de Bruno. Nem antes nem depois do acontecido. Até onde se sabe, as questões da fé não eram uma prioridade para o ex-capitão do time do Flamengo. Isso sem citar o completo desprezo com que os acusados – e o advogado de defesa – lidam com as denúncias de assassinato, estrangulamento, sumiço do corpo, que serviu para banquete de cães... Mas, ao serem transferidos do presídio de Bangu para Belo Horizonte, ainda em julho, Bruno e Macarrão portavam vistosas Bíblias nas mãos. A mesma imagem se repetiu agora, no retorno ao Rio, para a audiência que apura o sequestro de Eliza. (Leia na íntegra no Observatório da Imprensa)

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