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Kid Vinil

“As rádios só querem ganhar dinheiro”
Reportagem: Fábio Davidson (março/2003)

kid vinil
(por Zeca Baleiro, in: Por onde andará Stephen Fry?)

kid vinil quando é que tu vai gravar cd
kid vinil quando é que tu vai gravar cd

tecnologia existe pra salvar o homem do fim
se você estiver triste delete a tristeza assim
e se quiser conversar passe um fax pra mim
time is money god is dead have you a nice dream

acessando a internet você chega ao coração
da humanidade inteira sem tirar os pés do chão
reza o pai-nosso em hebraico filosofa em alemão
descobre porque que o Michael deu chilique na televisão

milhares de megabytes
abatendo a solidão
com a graça de bill gates
salve a globalização
se homem já foi a lua
vai pegar o sol com a mão
basta comprar um pc
aprender o abc da informatização


Ele é paulista, palmeirense, morou no Bixiga durante 20 anos e é um grande colecionador de discos. Também é jornalista, radialista, tendo participado do início da 89 FM, ao lado do produtor Gilles Phillippe (falecido em 1998) e da locutora Selma Boiron, que trabalhou na “Maldita” Fluminense FM. Na TV Cultura apresentou o programa Boca Livre, de 1987 a 1989 e depois passou a apresentar o programa Som Pop, que durou até 1993. Em seguida apresentou o Lado B, na MTV. Agora está na rádio Brasil 2000 FM onde recentemente tornou-se diretor artístico, além de apresentar os programas “Última Hora” e “Dicas do Vinil”, com informativos musicais durante a programação diária da rádio. Na música foi um dos precursores do punk no Brasil. Em 1980 montou a banda Verminose, composta por Minho K (guitarra), Trinkão (bateria), Stopa (baixo), onde fazia o vocal. Mais tarde, com a saída de Minho K, entrou no lugar Ted Gaz e a banda passou a se chamar Magazine, mudando o som de rockabilly para new wave. Com um estilo sempre bem humorado, o Magazine estourou com alguns sucessos nos início dos anos 80, como "Sou Boy" e "Tic-Tic Nervoso". Em 1985, formou outra banda,
dessa vez de blues-rock, chamada Os Heróis do Brasil, com a qual lançou um disco em 86.
Em 1988 o Verminose voltou com outra formação e cinco anos depois lançou o álbum "Xu-Pa-Ki".
Em 1997, o compositor maranhense Zeca Baleiro gravou um divertido tributo a este ícone em seu disco de estréia “Por Onde Andará Stephen Fry?” e recebeu o “troco” no recente CD do Magazine, “Na Honestidade”,
lançado pela gravadora Trama, onde também trabalhou, como diretor artístico internacional.
Estamos falando de Antonio Carlos Xenofonte, ou melhor, Kid Vinil.

Em primeiro lugar, como surgiu o nome Kid Vinil?
Foi devido a um programa de rádio em 1979. Era um programa de funk e new wave, era o primeiro programa brasileiro com estes estilos de músicas. Na verdade, eu precisa de um pseudônimo, Antonio Carlos não ia rolar mesmo, então procurei um nome de impacto, um nome que fosse divertido ao mesmo tempo. E aí um amigo tinha voltado de Londres, por onde eu já tinha passado algum tempo na época do início do punk, começando com Sex Pistols, Clash, tal. Tinha uns DJ´s com nomes engraçados. Tinha um que chamava Cosmo Vinil que trabalhava com o Clash e um da BBC que era Kid Jensen. Quando eu fiz o primeiro piloto pra rádio – era um programa de punk – tive a idéia de colocar Cosmo Vinil. Mas aí falei, vou usar o mesmo nome do DJ do Clash? Vai ficar meio estranho. Aí, pensamos, vamos colocar Kid Vinil, pegar um pouco de um e de outro. Kid Vinil soa bem em português e Vinil tem a ver com disco.

Tudo isso em qual rádio?
Rádio Excelsior. É uma rádio que não existe mais, foi comprada pela Globo [hoje, CBN].

Em que ano?
Foi no final de 79.

Como era o programa?
Era punk e new wave. Estava começando a entrar no Brasil. Basicamente eu tocava só isso, porque eu tinha acabado de voltar da Europa.

E o público brasileiro? Como recebeu o punk?
Era um primeiro contato. Tudo era novidade. Aí fui conhecendo o Clemente do Inocentes, uma turma que começou o punk no Brasil, o Carlos do Cólera, o Fábio do Olho Seco. Aí a gente acabou formando até uma turma. A gente fazia uns sons pro lado de Santana, mais periferia mesmo. E as coisas começaram a rolar. Aí surgiu a primeira leva do punk, que era punk rock, no começo dos anos 80.

Os discos vinham todos na bagagem?
Exatamente, todo mundo que viajava, trazia seus discos prá tocar. Porque era complicado conseguir os discos.

Por aqui não tinha nenhum trabalho a venda?
Não, nenhuma gravadora produzia aqui. Tinha pouca coisa, tirando Sex Pistols, que saiu aqui e o primeiro do Clash, mas era pouca coisa.

Você trabalhava só na rádio nesta época?
Na verdade eu também trabalhava em gravadora. Eu trabalhava na Continental, com produção e direito autoral. Eu me especializei na área de Direito Autoral.

Direito autoral é um tema que está em alta no momento...
É... Eu trabalhava direto com a editora, que editava as músicas dos autores, arrecadava junto ao ECAD, brigava. Eu trabalhei com uma pessoa, o Vítor Martins, que sempre foi um cara que brigou muito com o ECAD. Ele era parceiro do Ivan [Lins], é parceiro até hoje e é um cara batalhador nessa área do direito autoral.

O ECAD [Escritório Central de Arrecadação e Distribuição] acaba sendo uma fachada?
É muito complicado. Não é uma coisa tão honesta como deveria ser... Como é lá fora.

Da mesma forma que a Ordem dos Músicos do Brasil?
É. Eles também roubam descaradamente.

Então o músico está bem desprotegido no Brasil?
Totalmente. Se depender de alguma entidade, ele não tem.

No mercado externo o músico tem mais proteção?
Com certeza. Tem a sociedade do EMI, a ASCAP [American Society of Composers, Authors and Publishers], por exemplo, americanas, que defendem o direito do autor, que sempre lutaram de uma forma honesta, trabalhando mais pelos músicos.

Mudando um pouco de assunto, é impossível deixar de falar no Magazine, banda que está voltando a parada. Como foi o início da banda, como vocês se conheceram?
A gente se conheceu trabalhando na Continental. Eu conheci o baterista lá, o guitarrista também trabalhava lá e a gente formou uma banda lá dentro mesmo.

Era uma banda de garagem?
Era uma diversão, a gente ensaiva no Bixiga, na casa do baterista. Isso foi em 1979, a mesma época em que eu comecei a fazer rádio. E foi uma brincadeira, a gente nunca esperava que ia chegar a se profissionalizar a fazer alguma coisa tão seriamente, a gravar um disco. Tá certo que a gente estava dentro de uma gravadora... E na época os grupos de rock estavam em baixa. Depois que veio a geração 80 que começaram a dar uma força. No final da década de 70 era época dos cantores e cantoras de MPB, então não existia ainda o rock como surgiu na década de 80, quando apareceram mais grupos e aí a gente teve oportunidade. De uma brincadeira acabou se tornando uma coisa mais séria.

A gravadora acabou dando alguma perspectiva?
Ah, sim, a gente acabou tendo uma oportunidade legal dentro da gravadora.

Como era a divulgação do trabalho na época? Muito jabá [execução de música mediante pagamento]? Naquela época era até mais fácil, por que hoje em dia só se fala em “jabá”, em tanta coisa e, claro, tinha jabá também.Não vou dizer que não tinha, porque para ir televisão, por exemplo no “Chacrinha” , a gravadora pagava. Prá ir nesses programas todos de TV a gravadora tinha de pagar, mas talvez não fosse tão excessivo quanto é hoje, talvez a máfia não fosse tão grande quanto é hoje. Dá impressão que, de certa forma, as rádios não eram tão mafiosas, nem os programas de TV.

Como foi sua passagem pela 89 FM, em São Paulo?
Eu comecei lá em 86.

A proposta era tocar rock alternativo?
Até era uma rádio alternativa, tipo college radio, embora não tivesse vínculo com nenhuma universidade. Mas a gente fazia uma rádio que tocava muitas coisas do rock alternativo. Era uma rádio livre, mas aos poucos ela foi entrando no sistema, mudando, mudando e se tornando cada vez mais pop, cada vez mais comercial.

O início foi com o Gilles Phillippe e o Fábio Massari?
É. Na verdade quem estava no começo era o Anderson, eu... de conhecido ali não tinha muita gente... o Luis Augusto, que passou a coordenador. O Massari assumiu a rádio muito tempo depois, nos anos 90.

Qual sua opinião sobre as mudanças de estilo em rádios como 89FM e 97FM?
As rádios querem ganhar dinheiro, mudar, se tornar uma empresa financeiramente rentável. Isso acontece muito com as rádios, se aplica a todas elas. Eu não sou partidário disso. Acredito que deveria haver uma rádio que não se preocupasse tanto com isso. A Brasil [2000 FM] é uma das primeiras que não se preocupa tanto com isso.

E a Kiss FM, você ouve?
A Kiss é uma rádio que não tem tanto esta preocupação. Eu acho a Eldorado [FM] uma rádio que também não tem nenhum compromisso, não é uma rádio rock, mas não tem compromisso com jabá, com IBOPE.

Você sente saudades de programas como o Boca Livre e o Som Pop?
Eu achei legal fazer o Boca Livre pra [TV] Cultura. Tá certo que o formato ainda não era o exato, só no final que a gente chegou a um formato legal, de bandas ao vivo. No início era um programa de escolas, mas era interessante pelo espaço. Depois, o Som Pop eu peguei em uma última fase dele, fizemos vários especiais, uma série chamada História do Rock, que foi legal fazer. Justamente o Som Pop acabou por causa da MTV. Na época a Cultura achou que, com a MTV, não haveria necessidade de programas de vídeo-clipe e na época começou a surgir a exclusividade de alguns vídeos, ficou difícil para a Cultura conseguir material novo, então por isso eles resolveram acabar com o programa. Eu achei chato acabar, mas eles não tinham outra alternativa na época.

E qual sua opinião sobre a MTV no cenário musical, antes e hoje?
Eu gostava mais dela antes. Hoje acho que ela virou mais uma emissora de programas, não tem muito a ver com a Music Television, que era a proposta inicial. Eles comercializaram muito mais a proposta, os programas estão muito mais populares e a emissora se tornou mais popular. De certa forma eles conseguiram mais IBOPE. É engraçado, porque quando eu estava fazendo o Lado B, às vezes eu ia ao supermercado e a caixa do supermercado sabia que eu trabalhei na MTV ou pessoas mais do “povão” que assistiam a MTV. Era diferente da época que a MTV tocava um tipo de música mais segmentada. E agora ela atingiu um público maior, com certeza. Se esse era o objetivo, ela chegou a ele, mas, de certa forma, ela teve de mudar muito, saiu da proposta inicial. Tanto que alguns programas acabaram, até o próprio Lado B não existe mais.

Qual sua opinião sobre a onda de “acústicos”? O Magazine se encaixaria em um acústico?
Eu acho difícil... É engraçado, divertido até. Mas não é necessariamente aquilo que a gente faria. Alguns até ficam bem fazendo acústico, algumas coisas ficam interessantes. Mas nem tudo foi feito para ser acústico, depende muito da maneira como a pessoa arranja seu trabalho para o acústico. Tem alguns acústicos que eu gosto, tanto internacionais como nacionais.

Você fez um trabalho com os Heróis do Brasil, com o André Cristovam. Você tem planos de fazer algum trabalho solo, há alguma coisa que você ainda não fez, mas gostaria de fazer?
Carreira solo não. Eu gosto de trabalhar com banda. Então se for fazer alguma coisa vou fazer com banda, com essa ou com outra. Carreira solo eu tentei algumas coisas, mas não achei muito legal. É muito mais interessante trabalhar em banda.

Como tem sido seu trabalho na Brasil 2000 FM?
Eu sempre gostei de trabalhar em rádio. Enquanto tiver espaço vou continuar fazendo. Não é tão fácil assim, hoje as rádios estão muito mais comerciais, mais voltadas para uma fórmula mais popular e cada vez mais os espaços ficam restritos. Mas de certa forma a Brasil é uma casa em que já trabalhei várias vezes e sempre fiz um trabalho legal, sempre volto, é um espaço que eu tenho conseguido e espero conseguir sempre.

Qual sua dica para as bandas que querem produzir um som alternativo?
Eu acho que a cena alternativa hoje está mais fácil, tem selos, tem gravadoras, muita gente batalhando seu próprio trabalho. Eu acho que é isso mesmo. O lema do Punk era “Faça você mesmo”. Não tem que esperar que uma gravadora vá te contratar, que você vá acontecer. Procure suas próprias possibilidades, saia por aí, monte seu site, procure divulgar sua música de alguma maneira. Eu sei que não é fácil, os caminhos são difíceis, mas procure abrir seus próprios caminhos. É o que muitas bandas fazem e conseguem. Também é necessária uma certa originalidade e um bom senso para fazer músicas.

Discografia
NA HONESTIDADE (2002)
TRAIDÔ - 20 BANDAS TOCANDO RATOS DE PORÃO (Ratos de Porão)
KID VINIL (1989)
KID VINIL & OS HERÓIS DO BRASIL (1986)
MAGAZINE (1983)

Heródoto Barbeiro

Esta foi minha primeira entrevista "oficial" ( Fábio Davidson - março/2003)

Ele é bacharel em jornalismo e direito e pós-graduado em história. Já foi professor e trabalhou na rádio Jovem Pan e nas TVs Gazeta e SBT. Atualmente está na televisão, apresentando o Jornal da Cultura e no rádio, onde apresenta pela manhã o Jornal da CBN (Central Brasileira de Notícias). É colunista em periódicos, revistas e na internet, além da dar cursos e palestras.

Seu nome é uma feliz coincidência com o “pai da História”, o grego Heródoto?
De uma certa forma é uma coincidência. Mas todos meus irmãos têm nomes gregos. Meu pai era um homem que gostava muito de História e de literatura clássica, então não sou o único que tem nome grego na minha casa. E, por coincidência, o meu nome está ligado à História e eu fiz História. Mas eu tenho irmãos que têm nomes ligados a outras ciências e acabaram não se ligando a elas como eu me liguei à História.

E assim como o historiador grego, você também gosta de viajar e de contar histórias?
Sim, eu gosto muito de viajar, gosto de contar histórias e tenho procurado contar histórias das experiências que tenho vivido por aí. Acho que o fato de você viajar e conhecer outras culturas é uma forma de crescer bastante e poder entender um pouco melhor a humanidade.

Sente saudades da época de professor?
Para ser sincero não sinto saudades, porque o meu volume de trabalho atualmente como jornalista é de tal ordem que não dá tempo para isso. Dar um curso é um compromisso de um semestre ou de um ano todo. Então tem planejamento, tem muito estudo, tem preparação de aula toda semana, tem que corrigir os trabalhos. No momento, não tenho saudades disso. Talvez, no futuro, quando eu parar de ser jornalista, possa voltar a dar aulas.

O que o atraiu mais no Jornalismo?
O fato de você, em primeiro lugar, ter oportunidade de contar para uma parte da sociedade o que a outra parte da sociedade está fazendo. É uma coisa apaixonante. Segundo, o fato de que não há rotina como há na aula. Por mais que você estude, as aulas são rotineiras. No jornalismo não há rotina. Eu vou dormir à noite achando que sei tudo que aconteceu, levanto no outro dia e vejo que já aconteceu uma porção de coisas que eu não sabia. Então é a quebra da rotina, é a mudança e é principalmente a dinâmica dessa profissão.

Ao cursar jornalismo, como foi voltar a ser aluno, mesmo já sendo mestre?
Foi uma experiência extraordinária e foi também um banho de humildade. Quando você é professor durante muitos anos começa a adquirir determinados vícios e determinadas posições, porque você sempre fala de um conhecimento profundo do que você sabe. Aí, de repente, você vira aluno, quer dizer, você passa para o outro lado do balcão e percebe que não é bem assim. Então para mim foi uma experiência, que eu creio ter sido extremamente compensadora, não só profissionalmente, mas uma experiência pessoal importante para o meu aprendizado.

Existe muita arrogância no meio jornalístico?
A arrogância ela não é privilégio de determinadas situações. A arrogância é um daqueles pecados que os jornalistas têm que combater diariamente. Porque muitas vezes você acha que é muito importante, porque fala com A, com B ou com C, mas na verdade a maior parte das pessoas estão atendendo ao veículo em que você trabalha e não a você pessoalmente. Então é necessário você construir gradativamente, com muita humildade a sua importância pessoal e saber que você está a serviço não da sua causa, você está a serviço da causa dos seus telespectadores, dos seus ouvintes, do seu leitor.

Você considera que o ensino de Jornalismo melhorou, piorou ou continua da mesma forma do que na época em que você estudou?
O ensino exatamente, eu não posso fazer avaliações porque eu não tenho ido às escolas... Mas eu percebo que tem havido um descompasso muito grande entre o que eu vejo no dia a dia, no cotidiano e as pessoas que saem da faculdade. Então a impressão que eu tenho é que os currículos das universidades são distanciados da realidade, do dia a dia, do cotidiano. Isto eu estou falando pela quantidade de estagiários que eu conheço e convivo todos os dias. Então eu acho que os currículos precisariam ser melhor pensados.

Com relação ao estágio, há uma certa ilegalidade na contratação de estagiários na área de jornalismo. Isso é bom para o aluno? É bom para as empresas? É bom para o aluno, indiscutivelmente e é bom para a empresa também. Na questão do estágio, há quase o que a se poderia chamar de uma desobediência civil. Porque o estágio é proibido, no entanto ele existe em todas as empresas. O estágio não tem que transformar o estudante em mão de obra escrava, nem deve ser uma forma de você pagar salários menores, porque isso é burrice, obviamente. Jovens jornalistas têm que conviver com velhos jornalistas para que as experiências possam ser trocadas. Quando você bota jovens com velhos, não são só os velhos que ensinam para os jovens. Os jovens ensinam para os velhos a nova visão do mundo. E para você ter uma nova visão do mundo você não precisa nem ir para a faculdade, basta ser jovem. Então eu acho que essa é a correlação que vai ser importante nas redações.

Cursar a faculdade é realmente essencial para formar um bom jornalista?
Eu acho que não é necessário para formar o jornalista. O jornalista pode se formar com a faculdade, mas pode até se formar fora dela também. Mas a faculdade é uma forma dele se aprimorar enquanto jornalista. A faculdade tem que ser o grande fórum de discussão do jornalismo, da ética dos jornalistas, dos limites do jornalismo. E associada à prática cotidiana do fazer jornalismo.

O que ajuda o estudante para ele se tornar um bom jornalista?
Primeiro eu acho que ele tem que estar apaixonado pela profissão. Segundo, ele tem que sentir nos seus professores aquelas pessoas que vão ajudá-lo a realizar o seu sonho que é ser um bom jornalista, certo?

Você é a favor da Lei da Imprensa?
Não. Eu sou a favor de que todos os crimes cometidos pelos jornalistas sejam capitulados ou pelo Código Civil ou pelo Código Penal. Não acho que deva haver uma lei especial para crimes praticados por jornalistas.

A formação de um Conselho Federal de Jornalismo facilitaria isso?
Eu acho que deveria existir nacionalmente ou regionalmente ou até na própria cidade, Comissões de Ética Jornalística. Poderia ser uma ONG, formada por exemplo pelos editores jornalísticos que analisassem, discutissem e publicassem questões éticas do jornalismo. Como forma das pessoas se defenderem de reportagens que não estão corretas.

Você tem alguma preferência por rádio ou televisão?
Não, não tenho. Eu tenho preferência pelo veículo que facilite a minha comunicação num determinado momento. Há determinados momentos que é rádio, há determinados momentos que é TV, porque eu tenho a imagem. Há determinados momentos que são artigos que eu escrevo no jornal. Eu acho que, na verdade, o que importa não é o veículo, o que importa é a mensagem.

Como era trabalhar em programas como Vox Populi e Roda Viva?
São programas extremamente interessantes, que exigem um aprimoramento da gente muito grande, uma atenção muito grande e faz com que você cresça culturalmente porque os entrevistados são pessoas que têm coisas importantes a dizer. Vocês podem prestar atenção que são verdadeiras aulas.

Qual o principal motivo do rádio não sucumbir à televisão?
O rádio não sucumbe à televisão porque as pessoas precisam do rádio. As pessoas precisam muitas vezes trabalhar e se informar simultaneamente. Dirigir e se informar ou se distrair. E o veículo que se adequa a isso é o rádio.

Como foi levar o jornalismo do AM para o FM?
Essa proposta de quebra de paradigmas, de tirar do AM e passar para o FM, eu apresentei aqui na empresa há seis anos atrás e por muito tempo a empresa não queria aceitar esta proposta. Depois eles toparam e isso deu uma alavancada imensa na propagação do jornalismo da CBN. Isso fez uma rádio melhor qualificada e mais jovem. Porque até então se dizia que jovem não ouvia notícia. Não é verdade. Jovem não ouvia o AM. A hora em que a notícia passou para o FM, ele passou a ouvir.

Qual a visão principal de jornalismo da rádio CBN?
É a busca diária da isenção jornalística e se pautar pelos princípios éticos da profissão. Isso é o que nos move diariamente.

Como que a CBN consegue um feedback da audiência?
Exclusivamente pela Internet, através dos e-mails que são mandados para cá. São dezenas... dezenas não, eu digo para você que aqui deve chegar quase dois mil e-mails por dia. E através da aferição da audiência feita pelo IBOPE.

Como é apresentar um programa ao vivo? Você considera-se um âncora?
Eu me considero um indivíduo que pega a notícia e entrega para o ouvinte ou entrega para o telespectador. A palavra âncora, no Brasil tomou uma distorção muito grande. Eu me considero apenas um jornalista.

Você considera que entrevistar é uma arte?
Eu considero entrevistar um treino. A gente aprende a entrevistar. É treinando que a gente aprende a entrevistar.

Quais seriam os princípios básicos para uma boa entrevista?
Primeiro: conhecer o assunto. Tem muita gente que entrevista sobre um assunto que não conhece; segundo: fazer boas perguntas; e terceiro: deixar o entrevistado falar.

Tem alguém que você gostaria de entrevistar e ainda não foi possível?
Bem, não sei, não sei. Os que eu não consegui até agora foi porque não quiseram, ficaram fugindo... Eu respeito a decisão deles, mas eu tenho corrido atrás deles ainda assim... Por exemplo, eu li outro dia no jornal que o Saddam Hussein fala espanhol e de lá para cá nós estamos tentando uma entrevista com o Saddam Hussein. Quer dizer, a gente não vai conseguir nunca, não importa, mas vamos tentar...

Como era trabalhar com Miguel Dias? O que ele representou para a história do rádio no Brasil, do jornalismo no Brasil?
Trabalhar com o Miguel Dias era uma satisfação diária, primeiro porque o Miguel era um jornalista bem informado; segundo, experiente; e em terceiro, muito bem humorado. Eu acho que uma parte do humor que eu tenho hoje no rádio eu devo... eu aprendi com o Miguel a ser mais bem humorado do que eu era. O bom humor é uma forma de você estabelecer uma relação com os seus ouvintes ou telespectadores. Por exemplo, eu estou introduzindo na TV Cultura, à noite, o mesmo humor que eu tenho de manhã no Jornal da CBN. Eu vejo que está criando um certo constrangimento, mas aos poucos as pessoas vão aceitando. Demonstrando também que o fato de você ser bem humorado, não tira sua credibilidade. Esta foi a contribuição que eu aprendi com o Miguel e acho que o Miguel é uma pessoa que representou uma parte do rádio brasileiro importante, tanto no radiojornalismo, da qual ele participou, quanto no rádio entretenimento, uma vez que o Miguel também foi comunicador na rádio Globo.

Você acredita que há uma preocupação maior com a estética do que com a competência dos jornalistas, quando pensamos em televisão?
A estética ainda pesa muito na televisão brasileira. O jornalista bonito ou a jornalista bonita tem muito mais chance na televisão do que o jornalista feio ou a jornalista feia, infelizmente. Mas, obviamente essa é uma questão que eu considero até de um certo retrocesso cultural, porque se você ligar em qualquer dessas televisões internacionais, você vê gente feia e gente bonita, mas todos competentes.

E é difícil quebrar esses paradigmas?
É difícil porque uma parte da TV é a parte da audiência e às vezes você consegue mais audiência, infelizmente e por questões culturais, mais com a plástica do que com o conteúdo. Então se são... sei lá, se você pega um apresentador galã... não importa muito o que ele diz, importa que ele é galã!

Quem você merece destaca no jornalismo televisivo?
O meu destaque na televisão é para dois jornalistas. Um deles é o Boris Casoy e o outro é o Paulo Henrique Amorim. O Boris, pela qualidade do jornal que ele apresenta, que é muito bom e o Paulo Henrique, também pela qualidade do telejornal que ele apresenta, em que pese um fazer comentários e outro não fazer comentários explícitos.

Como é trabalhar em equipe?
Não dá para fazer jornalismo sozinho. Jornalismo é sempre feito em equipe. No Brasil ainda tem aquela história, como você personaliza as coisas. Em vez de falar PT, você fala o partido do Lula, em vez de falar PMDB você fala o partido do Quércia. Então há uma personalização também na TV. Mas não há possibilidade de se fazer jornalismo a não ser em equipe. Ninguém faz jornalismo sozinho.

Em que a Internet ajudou o jornalista?
Ela é uma ferramenta extraordinária, porque através da Internet você tem as fontes que você não tinha antes, você tem essa comunicação direta com o ouvinte, que é muito importante e você também, na Internet, consegue atingir a locais, com o full da rádio que você não atinge com a antena. Então hoje de manhã, por exemplo, eu recebi um e-mail de um cidadão que estava ouvindo o jornal na Alemanha. Coisa inimaginável se eu pensar só na antena.

Como você encara o jornalismo on line?
O jornalismo on line é importante, porém é um jornalismo que tem que ser feito com o máximo cuidado, para que notícias sem fundamento, inexatas, não sejam divulgadas.

A rádio é ainda mais rápida do que a Internet?
Eu acho que isso é absolutamente irrelevante, se é mais rápido. O relevante é ser correto.

O jornalismo brasileiro ainda acompanha o molde do jornalismo estrangeiro?
Eu acho que está muito mais próximo do jornalismo americano do que do jornalismo europeu. Eu não acho que isso seja ruim não, o modelo é bom. O que nós temos que fazer agora é nacionalizá-lo e dimensioná-lo.

No início do governo Lula cogitou-se que os jornalistas estariam dando uma “trégua” ao novo governo. Isso é real? Não, isso não é real não! Eu acho que os jornalistas não deram nem trégua, o novo governo tá aí e está levando paulada em todo lugar. Eu acho que não deram trégua não e eu acho que jornalista não tem que dar trégua para ninguém! Nem para nenhum governo. Nem pro governo A ou pro governo B ou pro governo C, nem coisa nenhuma. Jornalista não serve para agradar todos os governos. O jornalista tem compromisso com o público.

Qual a ligação entre jornalismo e cidadania?
O jornalismo é uma das formas de você difundir a cidadania, fazer com que ela cresça e também é uma forma pela qual os cidadãos se utilizam para exercer a sua cidadania por si mesmos.

E entre jornalismo e ética?
Não há jornalismo sem ética. Quando se fala em jornalismo, você pressupõe já a existência da ética dentro do seu bojo. Uma coisa não existe sem a outra.

O que o estudante de jornalismo e futuro jornalista nunca deve fazer?
Nunca deve mentir, nunca deve se deixar levar pela facilidade, nem acreditar na primeira coisa que ele encontra.

Qual a grande missão do jornalista?
Informar.

Os jornalistas têm desempenhado satisfatoriamente esta missão?
Na média têm.

Um grande jornalista...
Eu já citei aqui o Boris... Dentre outros tantos jornalistas, o Clóvis Rossi, o Carlos Heitor Cony, o Gilberto Dimenstein... Em suma, tem uma lista enorme de grandes jornalistas. Um deles eu gostaria de citar com especial carinho que é o Alberto Dines.

Um grande entrevistador...
Para mim o melhor entrevistador que eu já vi na minha vida, chama-se Paulo Henrique Amorim.

Qual seria a dica que você daria para aquele que quer começar a estudar Jornalismo?
Para quem vai começar jornalismo... A primeira dica que eu dou é a seguinte: Leia jornal!

Matérias e Entrevistas

Matérias & Entrevistas
No final de 2009, ajudei na escolha das personagens e fiz algumas das entrevistas da matéria Pequenos Missionários, assinada por Sérgio Pavarini e publicada na Revista Fantástico (Editora Globo) na edição Dezembro 2009/Janeiro 2010 (ainda não disponível na Internet).

Em maio de 2008, a revista Viagem & Turismo (Editora Abril) publicou um perfil que fiz sobre uma personagem interessante de um dos prédios do centro de São Paulo (confira aqui ou no site da revista).

Desde a época da faculdade, entrevistei pessoas famosas e ilustres desconhecidos que também mereceriam que suas histórias fossem conhecidas.
* Heródoto Barbeiro - O âncora da CBN
* Kid Vinil - Músico e desbravador de novidades sonoras
* Moro na rua, não tenho ninguém - Matéria sobre pessoas em situação de rua
* Marcelo Rezende - O polêmico "contador de histórias"
* Cristin Goldberg - A história de uma sobrevivente das atrocidades do nazismo
* Sérgio Rizzo - O jornalista cujo sobrenome é Cinema
* Dora Martins - Uma Juíza que marcou a presença brasileira no Timor Leste
* Yara Rocca - Uma (das muitas histórias) de adoção

Artigos
Desde março de 2006, sou articulista da revista católica Ave Maria, escrevendo uma coluna mensal sobre atualidades. Confira aqui o que já escrevi.
Ocasionalmente também colaboro para o sítio Observatório da Imprensa:
* Que fonte é essa?
* Um produto à venda
* Desastres, imprecisões, reflexões
* Comparar tarefas ajuda a decidir
* Quem precisa de conselhos?
* Tudo para dar certo. Menos o visual...
* Formando talentos ou jornalistas em série?
* Aqui jaz o sensacionalismo
* Vamos fazer um regiminho??? (Obesidade Informativa)
* Jornalismo ou Noticialismo???
* Mitologia Construída
* Hora de se antenar

Faculdade
Durante o curso de jornalismo, produzi muitas matérias. Fui repórter e fotógrafo, tanto no jornal mural Grafite, quanto no site iNove e também no jornal laboratório A Página, onde terminei como editor-chefe. Também participei da elaboração de uma revista virtual, intitulada Praxis, que você pode conferir clicando no banner abaixo.


Parada Obrigatória

Antes mesmo de começar a faculdade de jornalismo, já escrevia bastante. Porém, neste período organizei melhor meus escritos, entre 2000 e 2001 montei um site intitulado Refletir e lá publiquei alguma coisa. Este site saiu do ar com o fim do Yahoo!Geocities.

Sobre mim

Nascido em São Paulo, filho adotivo, criado pela avó. Tentou ser músico (virou hobby), almejou ser analista de sistemas (virou diversão), caiu de paraquedas na carreira pública, na área de Direito, mas acabou fazendo um curso de radialismo e, paralelamente, graduando-se em Comunicação Social, como jornalista (um sonho de infância, quando gravava "entrevistas" com amigos e parentes em fitas K-7 Basf). Agora, resolveu fazer História. Não que tenha ficado famoso ou realizado algum feito, mas, simplesmente, começou uma graduação na área.
*
Ama ler (até bula de remédio e flyers distribuídos pelas ruas), escrever (tem o dom da "prolixidade"), curtir boa música (desde o rock progressivo do Rush, passando pela MIB - Música Instrumental Brasileira, Jazz, MPB e, principalmente, música vocal a capella), além de enlouquecer/divertir-se na condução da sua "creche" particular (um casal mais as gêmeas).
*
Acredita que a religião pode levar à espiritualidade, porém, ultimamente tem servido mais para afastar o homem de Deus e causar decepções. Afinal, o ponto central do Cristianismo deveria ser o amor, a compaixão, a solidariedade, o altruísmo. Se o número de cristãos aumenta a cada dia, porque será que estas qualidades estão desaparecendo cada vez mais?
*
Ao seguir as dicas de um amigo, iniciou as aventuras em um blog chamado Refletir. Algumas mudanças depois, surge o DoxaBrasil. Por uma necessária disciplina, resolveu escrever  sobre humor, música, fotografia e jornalismo. Passou um período sabático no primeiro semestre de 2011, devido a problemas pessoais que o fizeram descobrir o significado da palavra depressão. Também tenta escrever sobre espiritualidade, na verdade um grande mistério. Não tem um grande trânsito em suas estradas virtuais, mas tem parceiros e leitores fiéis, o que o motiva a postar sobre o que achar interessante.
*
Este sou eu. Simplesmente, Fábio Davidson.
*
Se quiser saber mais, mande um e-mail,
verifique também no me adiciona

ou confira o currículo (simplificado) abaixo.


Currículo

MTb: 49.493 (Jornalista)
DRT: 23.817 (Radialista)
Currículo Lattes

Experiência Profissional

Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Período: Desde 08 de julho de 1998 (atual)
Função: Escrevente Técnico Judiciário Estenotipista

AMIL Assistência Médica Internacional Ltda
Período: 02 de junho de 1996 até 02 de agosto de 1998
Função: Operador de teleatendimento

SBC Soft - Soluções em Informática e HB Informática
Função: Instrutor de cursos – microinformática (free-lancer até 1998)

TELESP - Telecomunicações de São Paulo S/A
Período: 29 de abril de 1994 até 02 de dezembro de 1994
Função:Estagiário em informática

Banco do Brasil S/A
Período: 22 de junho de 1993 até 29 de abril de 1994
Função: Estagiário


Formação Acadêmica

Pós-Graduação
Universidade Nove de Julho
Especialização em Comunicação Empresarial e Institucional (Lato Sensu)
Concluído em dezembro 2009 (400 horas)

Graduação
Universidade Nove de Julho
Licenciatura em História
Cursando (previsão de término: dezembro de 2012)


Universidade Nove de Julho
Comunicação Social (Habilitação em Jornalismo)
Concluído em dezembro de 2006

Cursos de qualificação profissional

• Universidade Nove de Julho – Inglês Intermediário (EAD)
Concluído em julho de 2010 (36 horas)

• Universidade Nove de Julho – Marketing Pessoal (EAD)
Concluído em junho de 2010 (5 horas)

• Universidade Nove de Julho – Resolução de Conflitos (EAD)
Concluído em maio de 2010 (5 horas)
  
• Universidade Nove de Julho – Inglês Básico (EAD)
Concluído em maio de 20010 (36 horas)

• Universidade Nove de Julho – Redação Oficial (EAD)
Concluído em março de 2010 (5 horas)


• Escola Paulista da Magistratura/SP – 2º curso “Poder Judiciário para Jornalistas”
Concluído em agosto de 2009 (12 horas)

 • Universidade Nove de Julho – Básico sobre Cerimonial e Protocolo (EAD)
Concluído em julho de 2009 (5 horas
)
• Tribunal de Justiça/SP – Estenotipia Informatizada
Concluído em outubro de /2006 (7 meses)

• Universidade Nove de Julho – Básico sobre Cerimonial e Protocolo (EAD)
Concluído em julho de 2009 (5 horas)
• SENAC – Assessoria de Imprensa para o Setor Privado
Concluído em setembro de /2003 (24 horas)
• SENAC – Projeto Gráfico Editorial para Jornalistas
Concluído em julho de /2003 (18 horas)
• RádiOficina – Curso Técnico Profissionalizante em Radialismo
Concluído em julho de /2003 (Carga horária: 274 horas – DRT: 23.817)
• COGEAE/PUC – Inglês Básico Oral
4 semestres (1991/1992)

Inglês: Ótima leitura e compreensão; boa escrita e fala

Informática
• Digitação – ótima
• Sistemas Operacionais – MS-DOS (até 6.2) e WINDOWS (até XP)
• Aplicativos – Access; Excel; Word; Power Point; Page Maker
• Internet – Internet Explorer; Outlook; Outlook Express; e Netscape;
Noções em programação HTML; Flash; e Microsoft Front Page
• Música/Sonoplastia – Encore; Cakewalk; SoundForge; DigiRadio; Keeper; e Raduga

Obs.: Cursei cinco semestres do curso de Processamento de Dados (Mackenzie 93/95)


Seminários e Workshops

• Colóquio Rumos Jornalismo Cultural – Itaú Cultural – 14 a 16/12/2005
• Workshop de Radiojornalismo – CBN/ BBC Brasil/ PUC-SP – 18 e 19/03/2004
• Oficina da Voz – RádiOficina – 07/12/2002
• Congresso Arte e Ciência – ECA/ Instituto de Física – USP – 25 e 27/10/1995


Portfolio

• Criação e manutenção do blog DoxaBrasil
• Idealização e produção do Programa zOnA dA RefOrmA
• Articulista da Revista Ave Maria
• Matéria na revista Viagem e Turismo (maio/2008)
• Fotografias: http://picasaweb.google.com/refletir
• Artigos publicados no Observatório da Imprensa:
- 16/05/06 01/11/05 18/10/05 12/04/05 17/08/04 10/08/04
27/07/04 20/07/04 25/05/04 18/05/04 16/12/03 02/12/03
• Colaborador do site EntreCantos
• Entrevistas realizadas:
- Yara Rocca – Revista Ave Maria (Ano 107 – Maio/2006)
- João Gordo (MTV/ Ratos de Porão) – Ao vivo – RádiOficina on line
- Heródoto Barbeiro
- Kid Vinil
• Locução:
- Vídeo Institucional do Parque Dr. Fernando Costa (Parque da Água Branca)
- Vídeo Institucional do Projeto Integrarte
• Atividades na Universidade Nove de Julho (Uninove):
- Editor-chefe do jornal-laboratório A Página
- Repórter da revista Práxis
- Repórter e fotógrafo do jornal-mural Grafite
- Repórter e fotógrafo do site iNOVE
- Escolhido como Apresentador Dez - 2003 – Disciplina Eletiva Telejornalismo
- Produção de roteiros e locução de documentários (Laboratório de Imagem e Som)

Blogs e Imbróglios

Celular, MP3, DVD. Em outros tempos, telégrafo, vitrola, tape deck. A evolução tecnológica faz com que sintamos a necessidade de sempre estarmos atualizados. Antes, tirávamos uma fotografia, levávamos o filme para que fosse revelado e esperávamos até uma semana para ver o resultado obtido. E nem sempre era o esperado. Às vezes estava fora de foco, a pessoa virou ou fechou os olhos. Hoje, , nas câmeras digitais, conferimos imediatamente e, se não gostamos, já apagamos.

Com a informação é similar. Além dos jornais diários e das revistas semanais e mensais, hoje dispomos de informações através das emissoras de rádio – algumas delas com 24 horas ininterruptas de jornalismo -, dos telejornais e também pela Internet. Nesta última, é impossível mensurar a quantidade de dados disponíveis e, até mesmo, quais deles são confiáveis ou não. Como no caso da explosão dos blogs.

O blog ganhou fama, inicialmente, como uma espécie de diário. A diferença é que o conteúdo não ficaria guardado a sete chaves. Pelo contrário, as conquistas, os temores, as decepções, tudo poderia ser registrado e acessado por qualquer usuário de Internet, em qualquer lugar do mundo.

Depois do uso adolescente, os adultos descobriram e gostaram deste novo brinquedo. E o assunto ficou sério. Jornalistas começaram a discorrer de forma mais informal e ilimitada sobre temas que tinham espaço e tempo restritos, nas linhas de um jornal impresso ou no tempo das rádios e TVs. Além dos profissionais da mídia, toda a sociedade também encontrou um espaço para manifestação pública, sobre os mais variados assuntos.

Nesse âmbito, algumas liberdades se sobrepõem. Existe a liberdade de manifestação, de imprensa e a individual. Esta última deveria prevalecer sobre todas. Na realidade, em nome da liberdade de imprensa, muitas vezes a individualidade e a privacidade do indivíduo é violada. Nestes casos, a empresa jornalística é responsável pelo material que divulga e, caso seja apurado eventual culpa, deve arcar com as conseqüências. Porém, como no famoso caso da Escola Base (em São Paulo), mesmo que haja uma decisão judicial favorável a quem teve sua honra ofendida, é impossível passar uma borracha no passado, o estrago já foi feito.

O caso dos blogs é emblemático. A grande maioria dos blogueiros é pessoa física. Pessoas que, sem nenhum gasto – apenas o acesso à Internet –, podem iniciar e manter um blog. Aí entramos no terreno da liberdade de manifestação. Até onde vai a nossa liberdade?

Quando escrevo para o meu blog, sempre leio, releio e até espero um pouco antes de publicar algo. Leio como autor e tento fazê-lo como leitor, também. Aqui, volto ao caso da câmera fotográfica. Antigamente, havia mais tempo para ler, antes que algo fosse publicado. Essa coluna, por exemplo, é lida, editada e passa por outras pessoas antes de ser publicada. Portanto, erros podem ser identificados e reparados. Já nos blogs – e na Internet em geral – é tudo imediato. Verdadeiro ou não.

É preciso duplo cuidado. Por aqueles que publicam algum tipo de material na Internet. Ética, coerência, apuração e respeito à liberdade individual são bem-vindos. E por todos nós, usuários, para que agucemos nosso espírito crítico, a fim de não acreditarmos às cegas em tudo que é publicado e também para denunciar eventuais abusos. Precisamos definir se queremos ver a foto que registrou o momento ou uma foto retocada.

(Publicado em novembro/2007 na Revista Ave Maria)

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