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Feliz 2008

Em minha última mensagem do ano, vou passar a palavra para
Paul David "Bono" Hewson, Dave "The Edge" Howell Evans,
Adam Clayton e Larry Mullen Jr.





New Year's Day -
U2

Dia de Ano Novo

Tudo está quieto no Dia de Ano Novo
Um mundo em branco está a caminho
Eu quero estar com você
Estar com você noite e dia
Nada muda no Dia de Ano Novo
No Dia de Ano Novo

Eu estarei com você novamente
Eu estarei com você novamente

Debaixo de um céu vermelho-sangue
Uma multidão de preto e branco se ajuntou
Braços entrelaçados, os poucos escolhidos
Os jornais dizem, dizem
Diz que é verdade
É verdade
E nós podemos atravessar
Mesmo divididos em dois
Podemos ser um

Eu... Eu começarei novamente
Eu... Eu começarei novamente

Oh! Talvez esta seja a hora certa
Oh! Talvez essa noite

Eu estarei com você novamente
Eu estarei com você novamente

E então nós diremos que esta é a Era Dourada
E o ouro é a razão das guerras que declaramos
Mesmo que eu queira estar com você
Estar com você noite e dia
Nada muda
No Dia de Ano Novo

Caros Amigos

Não há isenção jornalística. Ponto. Partindo-se deste pressuposto, tudo que lemos, ouvimos e vemos, merece o devido filtro. Um exemplo: para ler Caros Amigos, é preciso saber que é uma revista mais à esquerda, que a maior parte dos colaboradores vão tentar justificar o governo Lula, vão meter o pau nos tucanos, etc e tal. Porém, depois de um período em que a leitura tornou-se até mesmo chata, creio que a revista tem voltado a tomar um prumo melhor. Na edição de dezembro, por exemplo, você encontra textos muito legais, como:

- Renato Pompeu, em Memórias de um Jornalista Não-Investigativo. Neste artigo, Pompeu volta ao passado, no tempo em que um texto de jornal passava, além do repórter, "também pelo redator, subeditor,editor, subsecretário, secretário e dois revisores". Hoje, embora a tecnologia tenha cortado tempo (e funcionários), muitos erros são vistos nos periódicos.

- Eduardo Matarazzo Suplicy, que escreve um texto pessoal e motivacional, intitulado Aprender piano aos 65 anos.

Mas, o que chamou a minha atenção mesmo, nesta edição de dezembro, foram dois artigos de certa forma polêmicos e que se contrapõem em essência e, por isso mesmo aguçam a reflexão. Vou reproduzi-los a seguir e aguardo seus comentários. O primeiro, é do poeta Ulisses Tavares e o segundo, do Frei Betto, escritor e frade dominicano. Só uma ressalva. Na edição de Caros Amigos o texto do Frei Betto saiu editado (reduzido) e eu preferi colocar o texto completo, que foi publicado no Adital.

Seres Natalinos e Imaginários
Ulisses Tavares

Em Deus eu não acredito. Acho tedioso e inútil entrar num revendedor autorizado de Deus (a igreja) e pedir alguma coisa a um ser do imaginário infantil e patrocinador das guerras. O Tio Patinhas do universo ouve apenas o tilintar das moedas.
Já em Papai Noel eu acredito. Fruto do sistema capitalista, do qual também faço parte, se bem que da banda dos explorados, suas regras são claras. Pagou, levou.
Onipresente e espalhafatoso, este portador de obesidade mórbida e roupa de palhaço é acessível ali no shopping center ou no camelô. Brega, interesseiro, oportunista, mas gente como a gente.
Se você quer algo terráqueo, pode se dirigir ao Papai Noel mais próximo e obter na hora. Democrático, o adiposo vestido com as cores da coca-c
ola tem de tudo para todos.
O rico, da zélite, encontra no saco do velho polonortista, do bom e do melhor. O podre, da zémanélite, também sai com seu presentinho
made in china e, se der sorte, com um cartão de esmola, digo, benefício governamental.
Papai Noel, realista, dá a cada um conforme sua posição na pirâmide social, que é aquela onde meia dúzia fica lá em cima, na pontinha, cagando na cabeça da maioria.
Já Deus, é um cara nebuloso. Única prova de sua existência é aquela que se vê nos noticiários: todo bandido brasileiro, de colarinho branco ou encardido, ao entrar ou sair da cadeia garante que Deus não o abandonará.

Mais convincente é Papai Noel, que, também nos noticiários de televisão, distribui panetones vencidos e brinquedinhos vagabundos para os pobres que moram lá naqueles lugares onde as empregadas se escondem nas ceias natalinas.
Deus faz parte da mitologia. Papai Noel da nossa idiotia.
E, afinal, Deus não tem cara.

Já Papai Noel é a cara de um presidente que um dia nós acreditamos muito. E que, se Deus quiser, ainda vai trazer o presente prometido. Ou não?

Ceia de Natal
Frei Betto


A Missa do Galo deu-se por celebrada na primeira hora de 25 de dezembro. Padre Afonso deixara-se contaminar pela aflição dos fiéis, ansiosos por retornarem às suas casas e desfrutarem a ceia antes de as crianças murcharem de sono. Abreviou a homilia, pulou orações, desejou a todos Feliz Nat
al e deu-lhes a bênção final. Uma dezena de paroquianos ombreou-se na sacristia para manifestar-lhe votos de boas festas. Presentes sobrepunham-se a um canto: camisas, meias, livros, essas coisas adequadas a um homem de Deus.
Dependurados os paramentos, padre Afonso viu-se sozinho. Miseravelmente só, em plena noite de Natal. O celibato é um dom e ele o sabia ter mere
cido. Ao longo de vinte anos de sacerdócio acometeram-lhe muitas tentações. Não era o fascínio das mulheres que o levava a duvidar de sua consagração. Admirava-as, sentia-se gratificado por achá-las belas e atraentes. Sinal de que havia nele um macho, o que no íntimo o envaidecia. Perturbava-o a consciência do pai que nunca fora. Muitas vezes sentia saudades dos filhos que não tinha.
Atormentava-o ver-se sozinho à mesa de refeições. Comer é comunhão, partilha, entremear ao cardápio o diálogo ameno e alegre. O alimento lhe caía insosso e, com freqüência, se surpreendia sonhando de olhos abertos, a mesa cercada por su
a família imaginária.
Naquela noite a solidão lhe bateu forte. Uma solidão com a ponta de amargura advinda de uma expectativa frustrada. Sentia-a na boca da alma. Nenhum
dos paroquianos lhe acenara a gentileza de um convite à ceia.
Padre Afonso revirou os embrulhos de cores brilhantes e encontrou o que bastava: um panetone e uma garrafa de vinho. Enfiou-os na pasta usada para levar sacramentos aos enfermos e dirigiu-se à zona boêmia.
Shirley
Shirley trazia os olhos inchados, o peito sufocado, o coração miúdo. Desde o fim da tarde chorara copiosamente ao recordar os natais de sua infância no norte de Minas. Lembrou da família que a repudiara, do marido que a abandonar
a, do filho que dela se envergonhava. Sentiu ódio da vida, da desfortuna a que fora condenada. Confusa, teve medo e vontade de sentir ódio também de Deus.
Pudesse, não trabalharia naquela noite. Todavia, não lhe restava alternativa. O acúmulo de dívidas a obrigava a ir à rua e aguardar o dinheiro ambulante que chegava escondido atrás da fantasiosa excitação de sua fortuita freguesia.
Mirou o homem de pasta na mão, camisa sem gola, sapatos escuros. Talvez viesse do trabalho. Enquadrou-o na tipologia adquirida em tantos anos de calçada: tinha o jeito ingênuo dos que buscam apenas aliviar-se e, na hora da cobrança, preferem ser generosos no pagamento a enfrentar uma prostituta irada disposta ao escândalo.
Trocaram olhares e ela se esforçou para estampar u
m sorriso sedutor. Ele parou e indagou; ela apontou o hotel de alta rotatividade na esquina. Caminharam lado a lado em silêncio, ela sobrepondo seu profissionalismo aos sentimentos esgarçados, ele apreensivo frente ao receio de ser flagrado ali por algum conhecido. Subiram as escadas opacamente iluminadas, em cujos degraus as baratas se desviavam ariscas.
Ao abrir o primeiro botão da roupa, ela ameaçou dizer qualquer coisa, mas ele se adiantou. Explicou que não estava ali em busca de sexo, e sim de companhia. Haveria, contudo, de pagar-lhe o devido. Contou-lhe de seu sacerdócio e de sua solidão, e indagou se ela se dispunha a orar com ele e compartir a ceia.
Shirley sentou na cama, enfiou o rosto entre as mãos
e desabou em prantos. Agora era um choro de alívio, de gratidão por algo que ela não sabia definir, quase de alegria. Logo, falou de seus natais na roça, o presépio em tamanho natural que o pai armava no quintal do casebre, o peru engordado durante meses para a ocasião, o bendito puxado por uma vizinha na falta de igreja e padre naquelas lonjuras.
Padre Afonso propôs fazerem uma oração. Ela se ajoelhou e ele tomou-a pela mão e fez com que se sentasse de novo. Ele ocupou a única cadeira do quarto. Abriu o Evangelho de Lucas e leu, pausadamente, o relato do nascimento de Jesus. Em seguida, perguntou se ela gostaria de receber a eucaristia. Shirley pareceu levar um choque. Como ela, uma puta, poderia receber a hóstia sem sequer ter se confessado? O sacerdote leu o texto de Mateus (21,28): "As prostitutas vos precederão no Reino de Deus". E acrescentou que era ele, e essa sociedade cínica, injusta, desigual, que deveriam se confessar a ela e pedir perdão por a terem obrigado a uma vida tão degradante.
Após a comunhão, padre Afonso tirou dois copos da pasta, encheu-os de vinho e partiu o panetone. Clareava o dia quando os dois ainda co
nversavam animados sobre suas vidas.

Capa da semana
A última capa da semana do ano vai para The Manila Times, jornal de Manila (Filipinas), que traz a foto do "trenó" do Papai Noel em tempos de guerra.

Superação - Parte IV

Na última terça-feira do ano, para finalizar a série Superação, um pouco da história de um compositor que marcou a história da música. O alemão Ludwig van Beethoven nasceu em 16 de dezembro de 1770. Sua arte marcou a transição do Classicismo (século XVIII) para o período Romântico (século XIX). Neto do regente da Capela arquiepiscopal na corte da cidade de Colônia, aprendeu as primeiras noções de música com seu pai e, aos 9 anos, foi confiado a Christian Gottlob Neefe, para os estudos musicais. Com 11 anos já compunha e, em 1784, foi nomeado segundo organista da capela. Logo em seguida tornou-se violoncelista na orquestra da corte e em 1787 foi enviado para Viena para estudar com Joseph Haydn. Nesta cidade permaneceu até o final da vida.
Beethoven compôs sua primeira sinfonia em abril de 1800, quando já sentia os primeiros sinais de uma perda auditiva severa. Sem sucesso, tentou vários tratamentos e terapias, o que o levou a uma profunda depressão e até a pensamentos suicidas, chegando a redigir, 1802, o Testamento de Heilingenstadt. Porém, algo maior o motivava, o que o levou, mesmo praticamente surdo a finalizar em 1824 a que seria a maior de suas obras-primas: A Sinfonia nº 9 em Ré Maior Op. 125.
Embora não estivesse completamente surdo, Beethoven não podia distingüir nuances e timbres. Mesmo assim, compôs esta sinfonia - provavelmente resultado de quase 20 anos de trabalho - a partir de uma poesia escrita por Friedrich Schiller, Ode an die Freude (Ode - ou Hino - à Alegria), o que representou uma grande inovação, pois pela primeira vez foi inserido um coral em um movimento de uma sinfonia.
A primeira execução desta obra aconteceu em 7 de maio de 1824, no Kärntnertortheater, em Viena (Áustria), sob regência de Michael Umlauf. Em virtude da deficiência auditiva de Beethoven, ele foi convidado a assistir a estréia de sua obra ao lado do maestro. Ainda assim, está registrado que, abstraído na leitura da partitura, o compositor não percebeu o final e os aplausos do público, até o momento em que Umlauf tocou em seu braço e, então, Beethoven agradeceu ao público.
Depois da Nona Sinfonia, Beethoven ainda compôs mais de 40 obras até sua morte, em 26 de Março de 1827, porém a "Nona" foi sua última sinfonia. O quarto movimento desta sinfonia foi escolhido como Hino da União Européia, pela síntese que faz de ideais clássicos ligados ao Humanismo, à Fraternidade, à Liberdade e à Igualdade e, em 12 de janeiro de 2003, passou a fazer parte oficialmente da Memória do Mundo por ser uma obra que, além de seus méritos musicais, se converteu em um hino universal das aspirações de paz e fraternidade.
No DoxaOnline, selecionei o segundo movimento (Molto Vivace), executado pela Orquestra e Coro da Orquestra Filarmônica do Sul da Alemanha, sob regência de Henry Adolph. A obra toda tem cerca de uma hora de duração, sendo que a parte mais conhecida - o quarto movimento - tem quase meia hora. Recomendo sua audição, pois é onde foi inserido o poema do poeta, dramaturgo, filósofo e historiador alemão Friedrich Schiller. Segue uma tradução do trecho, em português:

Baixo
Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais prazeroso
E mais alegre!

Baixo. Quarteto e coro
Alegre, formosa centelha divina,
Filha do Elíseo,
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu.
Todos os homens se irmanam
Ali onde teu doce vôo se detém.

Quem já conseguiu o maior tesouro
De ser o amigo de um amigo,
Quem já conquistou uma mulher amável
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma,
Uma única em todo o mundo.
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!

Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza:
Todos os bons, todos os maus,
Seguem seu rastro de rosas.
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte;
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!

Tenor e coro
Alegremente, como seus sóis corram
Através do esplêndido espaço celeste
Se expressem, irmãos, em seus caminhos,
Alegremente como o herói diante da vitória.

Coro
Abracem-se milhões!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos, além do céu estrelado
Mora um Pai Amado.
Milhões se deprimem diante Dele?
Mundo, você percebe seu Criador?
Procure-o mais acima do Céu estrelado!
Sobre as estrelas onde Ele mora!

Sorry!

Devo pedir desculpas a você, leitor freqüente do DoxaBrasil. Mas, este final de ano está enlouquecedor. Na última quinta, era meu penúltimo dia de serviço antes das merecidas férias. Para colaborar, meu Vírtua (conexão de Internet) caiu. Aí, passou o tempo e não escrevi nada. Depois, no sábado, estava preparando-me para viajar, a fim de passar o Natal com parentes no interior. Ficou para depois. Finalmente, acabo de chegar de viagem. Mas, ainda a tempo de desejar a você e toda sua família um ótimo Natal e que ele tenha um real significado, não comercial ou de falsa harmonia familiar, mas sim o sentido do nascimento que deu origem a essa comemoração, que dividiu o tempo em antes e depois dEle e que pode fazer a verdadeira diferença em corações, mentes e vidas. Que Cristo nasça e renasça em nossos corações, não só hoje, como todos os dias da nossa vida, trazendo paz, harmonia, alegria e amor.
Nesse dia, recomendo a leitura do texto O Presépio e a Prosápia, do meu amigo Wilson Tonioli.

Superação - Parte III

O terceiro escolhido para a série Superação nasceu em 13 de Maio de 1950, na cidade de Saginaw - Michigan (USA). É compositor, cantor, multi-instrumentista, produtor, além de um intenso ativista das causas humanitárias. Stevie Wonder é o nome artístico de Steveland Hardaway Morris. Nasceu prematuro e, devido a um problema no fornecimento de oxigênio na incubadora, foi acometido de uma retinopatia que o levou a perder a visão.
Sua mãe orientou que os irmãos o tratassem da mesma forma que as outras crianças, sem super-proteção. Aos 4 anos, sua família mudou-se para Detroit, onde o talento musical do menino começou a despontar. Aprendeu a tocar piano e bateria e, em 1961, numa pequena apresentação foi descoberto por Ronnie White, que conseguiu que ele fosse ouvido na gravadora Motown. Steve foi contratado imediatamente e seu primeiro trabalho foi produzido por Clarence Paul. Com apenas 12 anos de idade, adotou o nome artístico de Little Stevie Wonder.
Em agosto de 1973, Wonder sofreu um grave acidente automobilístico, foi atingido por um objeto na cabeça, ficou quatro dias em coma. Após sua recuperação, a única seqüela foi a perda do olfato.
Stevie Wonder é um grande campeão do Grammy, com mais de 20 premiações - o primeiro, em 1973 (Melhor música R&B) e o mais recente em 2006 (com Tony Bennett). Também ganhou o Oscar de melhor canção (1984), com o clássico I Just Called To Say I Love You, da trilha de A Dama de Vermelho. Além disso, tem seu nome no Hall da Fama do Rock e também no Hall da Fama dos Compositores.
A música de hoje - Can´t Imagine Love Without You - é do último trabalho de Wonder, o álbum A time to love (2005) . Nele, o músico demonstra todo seu potencial, pois produziu, escreveu todas as letras e músicas, além de cantar e tocar vários instrumentos. É necessário prova maior de superação, força de vontade e talento?
Este álbum é recheado de participações especiais: Paul McCartney, Prince, India.Arie, Kim Burrell, Kirk Franklin, Doug E. Fresh, além da filha de Wonder, Aisha Morris. Há também uma participação do carioca Oscar Castro-Neves, na música Sweetest Somebody I Know. Aliás, falando em parcerias com músicos brasileiros, é antológica uma participação de Wonder na música Samurai, de Djavan.

Can´t Imagine Love Without You
Can you picture mother earth in the palm of your hand?
The entire universe as a tiny grain of sand
And it feels impossible to do
As I can´t imagine love without you

Think of drinking every sea with its salty waters dry
Sprinting round the world three times faster than a rocket flies
And the thought of it you can´t pursue
As I can´t imagine love without you

Some thoughts are just no brainers
Not worth an ounce of time
Yet others inconceivable
So they never cross your mind

Travel back though life inside one atlantis summer´s night
Add up every single star
Since the day there first was light
How and where to start
You´ll have no clue
As I can´t imagine love without you

Yet others inconceivable
So they never cross your mind
Travel back though life inside one atlantis summer´s night
Add up every single star
Since the day there first was light
How and where to start
You´ll have no clue
And the thought of it you can´t pursue
´cause it feels impossible to do
As I can´t imagine love without you
I can´t imagine love without you

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