Ontem, segunda-feira, o programa Roda Viva (TV Cultura SP) debateu a questão da Classificação Indicativa para diversões e espetáculos. Ninguém ficou no centro da roda e o debate contou com a presença do presidente da Comissão Municipal de Direitos Humanos (ex-ministro da Justiça) José Gregori; do cientista político e coordenador de relações acadêmicas da Andi - Agência de notícias da Infância, Guilherme Canela; do advogado, diretor do Dejus - Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça, José Eduardo Romão; do geógrafo, especialista em relações internacionais e editor do jornal "Mundo, Geografia e Política Internacional", Demétrio Magnoli; do advogado e consultor jurídico da Abra (Associação Brasileira de Radiodifusores), Walter Ceneviva; do advogado e consultor da Abert, Antonio Claudio Ferreira Netto; e do jornalista e diretor do Instituto Cultural da ESPM, José Roberto Whitaker Penteado.
Todos eram personalidades de peso na área de comunicação e Justiça, com seus prós e contras. Foi interssante ver a postura transparente e apolítica de José Gregori, que foi ministro de FHC, defendendo aquilo que começou na sua gestão e agora tem continuidade no governo Lula.
Sinceramente, ainda não consegui formar uma opinião a respeito. Li a portaria e achei pontos interessantes, como o artigo 6º:
"Todo cidadão interessado está legitimado a averiguar o cumprimento das normas de Classificação Indicativa, podendo encaminhar ao Ministério da Justiça, ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e ao Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA representação fundamentada nas obras e diversões abrangidas por esta Portaria".
Porém há pontos perigosos, como o artigo seguinte (7º):
"Cabe ao Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação da Secretaria Nacional de Justiça – DEJUS/MJ, receber requerimento para classificação prévia, devidamente instruído e atribuir a correspondente classificação indicativa". (grifo meu)
O centro do debate está na forma como as emissoras de televisão (principalmente) lidarão com essa questão. Há o problema do fuso horário, que fez, por exemplo, com que o Big Brother fosse exibido às 18 ou 19 horas em determinados estados brasileiros. Por outro lado, há a questão das antenas parabólicas, que captam o sinal de rede, impossibilitando a diferenciação na difusão.
Por um lado, acredito que o Estado deva regulamentar formas para que o cidadão tenha condições de saber previamente o que está assistindo ou não. Porém, na minha opinião, não deve ser o Estado o tutor dessa análise, como entendi que prevê a Portaria. O caminho sensato seria o da auto-regulação (como é eficaz na propaganda) aliado à participação popular. Eu já escrevi artigos para o site Ética na TV, que promove a campanha: Quem financia a Baixaria é Contra a Cidadania. Essa campanha foi um dos fatores que provocou o fim de telejornais como o "Cidade Alerta". E não foi apelando para um senso ético ou moral da TV Record. O alvo foi mais doloroso: os anunciantes. Ao verem seus nomes associados a uma campanha contra a baixaria na televisão, grandes anunciantes começaram a se preocupar e a "sair de fininho". Foi nesse momento, coincidentemente ou não, que a Record viveu sua maior "Globalização", com a contratação de jornalistas "globais" e introdução de cenário e vinhetas semelhantes à da concorrente. Quem foram os maiores agentes das mudanças? A própria população, graças a um meio de divulgação público e amplo.
O tema é preocupante. Embora a princípio não se fale em censura, ela vem discretamente embutida no pacote. Um dos participantes do debate levantou a questão da proteção à criança e ao adolescente no horário em que seus pais não se encontram em casa (manhã/tarde). Porém tão ou mais preocupante é a permissão que os pais dão aos seus filhos para assistirem a conteúdo impróprio mesmo quando já estão em casa, já que a maior parte deste tipo de programação é veiculada no horário noturno. Ou seja, não adiantará nada o governo debater e implementar estas regras, as emissoras se adaptarem, se os pais ou responsáveis não tiverem senso crítico para acompanhar, analisar e permitir (ou não) que seus filhos assistam determinado tipo de programa.
Estima-se que a implementação da TV Digital facilite esse processo. Acredito que sim, pois há pouco tempo eu mudei minha assinatura de TV a cabo para a modalidade digital, até porque tenho quatro crianças em casa e prefiro que elas assistam canais apropriados ao seu desenvolvimento e faixa etária. Achei interessante que o próprio sistema possibilita bloquear programas de acordo com uma classificação indicativa (acredito que fornecida previamente pelas emissoras). Ou seja, se determinado programa é recomendado para maiores de 13 anos, o sinal é bloqueado e só pode ser assistido mediante digitação de uma senha, tornando-se um ótimo aliado para os pais. Infelizmente esse tipo de sistema ainda é restrito.
Porém o debate levantou outra questão: a Internet. Este sim é um meio difícil - para não dizer impossível - de se normatizar ou bloquear conteúdos impróprios, mesmo com a utilização de softweres avançados. Isso me faz pensar que apenas impedir não basta. Em uma geração onde os pais conversam cada vez mais com os filhos e trocam a presença por presentes, onde as crianças e adolescentes ficam cada vez mais tempo à frente do computador, dos vídeo-games e da televisão e o diálogo praticamente não existe nos lares, não é o conteúdo da televisão que prejudica os filhos, mas sim os próprios pais.
Leia mais sobre o assunto:
Classificação Indicativa - Ministério da Justiça
Observatório do Direito à Comunicação
Alberto Dines
Dica do dia:
Já há algum tempo, no horário do almoço, eu assisti um comercial na SESC TV e achei muito interessante. Agora consegui localizá-lo na Internet em One Earth, intitulado The Power of One.
Clarence, Aslan & Afins
Em 24.6.07
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Na última quarta-feira demos um passo mais prático para a concretização da Confraria Ekklesial, que há dois anos vem fazendo alguns bate-papos esporádicos.Nesta reunião, contamos com a participação de novos "confrades", Sérgio Pavarini e Volney Faustini, além da visita do Paulo Camargo. Um dos muitos temas abordados foi a performance da Ana Paula Valadão em um show (?) do Diante do Trono, em 26 de maio, na cidade de Anápolis.
Confesso que não tinha assistido ao evento até agora, embora já tivesse ouvido falar do acontecido. Então para você se ambientar, caso não tenha visto ainda, acesse os links abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=VAPRJWUNM1I
Para dar voz ao contraditório, leia a versão oficial da protagonista.
Para dar voz ao contraditório, leia a versão oficial da protagonista.
Já li várias opiniões a respeito. Na versão oficial, todos comentários mantidos no blog são favoráveis. Fico pensando se ninguém que pensa diferente deixou algum comentário ou se eles foram moderados e apagados pelo blogueiro responsável. De qualquer forma, algumas opiniões diferentes estão no PavaBlog e no Ação Reação.
Outro comentário interessante também está no YouTube, sob título APV Imitou o U2: "A APV que imitou o Bono? Menos mal... Se continuar se espelhando no Bono, quem sabe um dia ela se torne uma verdadeira cristã como ele ^^" (comentário de kazenin1978 ).
Penso que, se algumas coisas que a comunidade "cristã" faz publicamente são difíceis de explicar e entender dentro do próprio meio, quanto mais fora dele. Acho que "ser diferente" não tem sido bem entendido por alguns... Mas que o pessoal tem se esforçado para ser "diferente", tem mesmo!!! Para outros, só resta ficar "vesgo" de vergonha...
Grão de mostarda
Em 24.6.07
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Há imagens que tocam nossos sentimentos. Outro dia assisti um comercial na SESC TV e achei muito interessante. Agora consegui localizá-lo na Internet no sítio One Earth, intitulado The Power of One. Me fez parar para pensar sobre o tempo que perdemos tentando mobilizar pessoas e deixamos de agir, mesmo sozinhos.
Confraria Ekklesial
Em 24.6.07
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Confraria significa reunião de pessoas em torno de um tema em comum, um grupo que, por coincidência, destino, forças sobrenaturais (ou seja lá qual nome você prefira) se interliga por laços de amizade e objetivos semelhantes.Ekklesial, uma corruptela da palavra grega Ekklesia (igreja), que significa "chamados para fora”, "convocados", "assembléia".
A princípio, a idéia é agrupar pessoas, formadores de opinião, pensadores, filósofos, teólogos, sociólogos, jornalistas, artistas, pessoas em geral dispostas a não só pensar, debater e discutir, mas tentar concretizar medidas práticas, com o intuito de melhorar nosso "habitat", nosso meio, nossa sociedade, tanto na visão "micro", como na visão "macro".
Isto é possível? Ou seria um devaneio, uma utopia? Entre no grupo e nos ajude a descobrir!
Agradeço ao Metrô a graça alcançada...
Em 16.6.07
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Não, eu não adotei uma nova religião. Nem tampouco enlouqueci. Só queria aproveitar este espaço para agradecer ao Metrô de São Paulo por:1) Me fazer sair do sedentarismo;
2) Me ajudar a perder uns quilos...
Pois é, na quinta-feira, a greve sem aviso prévio fez com que eu optasse por caminhar uma hora a pé, de Santana (Zona Norte) até a Sé (Centro) para chegar no serviço. Era isso ou: a) voltar para casa; b) pegar um ônibus mais do que lotado e que ia demorar muito devido ao trânsito parado.
Ainda estava me recuperando quando ontem, sexta-feira, já ia voltar para casa depois do último dos cinco dias de trabalho, e deparei-me com a maior confusão na estação Sé, filas enormes para passar a catraca e, não mais do que de repente, um aviso sonoro "a linha 2, azul, está paralisada, sem previsão de retorno à operação". Novamente os ônibus ficaram lotados e o trânsito, já ruim às sextas, ficou pior. Minha opção: uma nova caminhada!!!
Eu sempre curti muito a agitação de São Paulo. Quando vou para o interior, depois de quatro, cinco dias, começo a ficar entediado. Mas acho que alguma coisa está mudando em mim... Será que estou ficando velho?!?!?! Ou cansado das canalhices dos governantes e dos legisladores?
A verdade é que São Paulo é uma das maiores metrópoles do mundo, mas definitivamente não dispõe de alternativas eficazes para o transporte, principalmente nos horários de pico. Ou seja, falta gerenciamento e investimento.
Será que dias melhores virão??? Caso contrário, é melhor eu comprar um tênis especial para longas caminhadas. Ou será melhor uma bicicleta???
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