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Água na boca

Os principais jornais paulistas (Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo) não são afetos a muitas modificações e criações. Depois de uma grande reforma gráfica, não houve grandes mudanças, nem apareceram cadernos inovadores.
Um dos últimos lançamentos, o caderno Paladar, do Estadão, completou 2 anos em setembro último. Foram 2 anos de altos e baixos. Algumas edições com sacadas geniais e outras que beiravam o jabá (o grande problema de editorias como viagem e autos, por exemplo). Semana passada, porém, foi uma daquelas edições históricas que os loucos - como eu - costumam guardar em arquivo. A reportagem desvendou desde a confecção dos chocolates M&M, passando pelos bastidores de um grande bufê, como se faz um marzipã, um queijo Grana Padano, até um dos melhores pães italianos da cidade.
Ou seja, há espaço no jornalismo para tudo. Basta o publisher e os acionistas toparem.

Record News
Ainda não consegui assistir muito a programação da nova emissora. Mas, percebi que, tal qual Globo News, repete muitos dos jornalistas da emissora aberta, porém com a diferença que no canal de notícias aparentam mais liberdade, ficam mais soltos, os programas são mais longos. Brito Jr até ganhou um talk show, com direito a caneca na bancada e tudo...
Só ainda não entendi porque a qualidade de imagem é muito melhor na casa da minha avó (que mora em um apartamento no centro paulista e tem uma antena coletiva bem "meia boca") do que em casa, via Net Digital.

Capa da Semana
Não é só no Brasil que se luta contra a dengue. Deu na capa de ontem do El Nuevo Dia, jornal de Porto Rico.

No meio do caminho

O som dessa semana vem de uma banda sensacional. Dave Matthews Band (DMB) teve início em 1991. Em 1993 lançou o primeiro álbum - Remember Two Things. De lá prá cá já foram mais de 20 gravações.
O líder da banda, David John Matthews, nasceu em Johannesburg, África do Sul, onde viveu até os 10 anos de idade, quando seu pai morreu. A família mudou-se para os Estados Unidos, onde, após o colegial, Dave passou a trabalhar como barman. Justamente no bar Miller's que começou a formação da banda, a partir de músicos que ali tocavam.

Curiosidade

Dave foi criado pela tradição Quaker, organização religiosa cujos princípios deram origem, por exemplo, a ONG ambientalista Greenpeace, fundamentado no conceito de bearing witness, algo como "testemunha envolvida", segundo o qual uma pessoa que testemunhe uma injustiça tem a obrigação moral de escolher se deve agir contra ou a favor dessa injustiça.

A Música

Escolhi The stone, do álbum Before These Crowded Streets (1998), que chegou à primeira posição do Billboard no ano do lançamento. Este foi o último álbum produzido por Steve Lillywhite (produtor de Peter Gabriel, Rush, U2, entre outros). O arranjo orquestral desta faixa é de John d'Earth. A tradução abaixo é do site dos fãs brasileiros do DMB.

The Stone

A Pedra

I've this creeping
Suspicion that things here
Are not as they seem
Reassure me
Why do I feel as if
I'm in too deep

Now I've been praying
For some way to show them
I'm not what they see
Yes, I have done wrong
But what I did
I thought needed be done
I swear

Oh unholy day
If I leave now
I might get away
Oh, but this weighs on me
As heavy as stone
And as blue as I go

I was just wondering
If you'd come along
Hold up my head
When my head won't hold on
I'll do the same
If the same's what you want
But if not I'll go
I will go alone

I'm a long way
From that fool's mistake and
Now forever pay
No, run
I will run
And I'll be okay

I was just wondering
If you'd come along
Hold up my head
When my head won't hold on
I'll do the same
If the same's what you want
But if not I'll go
I will go alone

Long way
Bury the past for
I don't want to pay
Oh, how I wish this
To turn back the clock
And do over again

Now I was just wondering
If you'd come along
Hold up my head
When my head won't hold on
I'll do the same
If the same's what you want
But if not I'll go
I'll go alone

I need so
To stay in your arms
See you smile
Hold you close
And now it weighs on me
As heavy as stone and
A bone chilling cold

I was just wondering
If you'd come along

Tell me you will

Eu tenho esta terrível
Suspeita de que as coisas aqui
Não são o que parecem
Me reconforte
Por que me sinto como se
Estivesse fundo demais?

Estive rezando
Por alguma maneira de mostrar a eles
Que não sou o que eles vêem
Sim, eu errei
Mas o que fiz
Achei que devesse ser feito
Eu juro

Oh, maldito dia
Se eu for embora agora
Talvez eu consiga escapar
Oh, mas pesa sobre mim
Pesado como pedra
E triste como vou

Eu estava apenas imaginando
Se você viria comigo
Levantar minha cabeça
Quando ela não se mantiver erguida
Eu farei o mesmo
Se o mesmo for o que você quiser
Mas se não quiser eu irei
Irei sozinho

Estou bem longe
Daquele erro tolo
Agora pagarei para sempre
Não, fugir
Eu fugirei
E ficarei bem

Eu estava apenas imaginando
Se você viria comigo
Levantar minha cabeça
Quando ela não se mantiver erguida
Eu farei o mesmo
Se o mesmo for o que você quiser
Mas se não quiser eu irei
Irei sozinho

Longo caminho
Enterre o passado pelo
Qual não quero pagar
Oh, como eu desejo
Voltar o relógio
E fazer tudo outra vez

Agora eu estava apenas imaginando
Se você viria comigo
Levantar minha cabeça
Quando ela não se mantiver erguida
Eu farei o mesmo
Se o mesmo for o que você quiser
Mas se não quiser eu irei
Irei sozinho

Preciso tanto
Ficar nos seus braços
Te ver sorrir
Te abraçar apertado
E agora pesa em mim
Pesado como pedra e
Um frio de arrepiar os ossos

Eu estava apenas imaginando
Se você viria comigo

Diga que virá

Ultrapassagens

Não sei se minha mente foi simplista demais, mas, ao ler a notícia da morte abrupta de Maria Luísa Rodenbeck nesta semana, imediatamente veio a minha mente o trecho de Lucas 12.13-21, principalmente o versículo 20:

Na versão de Almeida (atualizada):
Mas Deus lhe disse: "Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?"

Na versão NVI (Nova Versão Internacional - em português):
Contudo Deus lhe disse: "Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?"

Na versão NIV (New International Version - em inglês):
But God said to him, "You fool! This very night your life will be demanded from you. Then who will get what you have prepared for yourself?"

E, este trecho me fez lembrar de uma fala do filme Confissões de Schmidt:
O que você vai dizer quando parar, olhar prá trás e se perguntar: "Que diferença eu fiz?"

A primeira vez que ouvi falar no nome de Maria Luísa foi quando da entrada da rede de cafés Starbucks, no Brasil. Foi um esforço pessoal da empresária, uma ex-executiva da United Airlines, da American Airlines e do Outback, rede australiana de restaurantes que ela também trouxe para o Brasil, juntamente com seu marido, Peter Rodenbeck. Este, foi o responsável pela chegada do McDonald's ao país, cujo faturamento atual gira em torno de US$ 600 milhões. O Outback alcança cerca de US$ 70 milhões. E a Starbucks, em apenas 11 meses, já projetava uma trajetória de sucesso.

A vida de Maria Luísa terminou na manhã da última segunda-feira (1º de outubro), segundo testemunhas, em uma ultrapassagem perigosa feita pelo táxi em que ela se dirigia para o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O táxi bateu de frente com um ônibus, ceifando a vida da empresária, então com 49 anos, e do motorista do táxi, aos 51 anos.

Empresária bem sucedida, Maria Luísa conseguiu, depois de negociações que duraram quase dez anos, ultrapassar as barreiras e trazer a Starbucks para o país e, numa última ultrapassagem, sua carreira teve fim. O casal não teve filhos. Sinceramente, não sei se o texto bíblico acima aplica-se à vida dela, pois não conheço aspectos da vida sua pessoal. Mas, levantou uma questão na minha mente. Se ela olhasse para trás, e perguntasse a si mesma "Que diferença eu fiz?" qual seria sua resposta? "Eu trouxe McDonald's, Outback e Starbucks ao país"? Este, pelo menos, foi o obituário das páginas jornalísticas.

Pensando no que Cristo exemplificou e o médico Lucas registrou nos Evangelhos, parece um texto forte. Começa, na parábola (espécie de narrativa ilustrativa moral), praticamente xingando um homem rico que não sabia nem onde guardar tudo o que havia produzido e resolveu construir celeiros maiores, guardar e curtir a vida com os rendimentos obtidos. Coloquei a tradução em inglês porque ela acrescenta "o que você preparou para você mesmo", onde fica claro que ele não pensava no bem comum, mas apenas no bem estar pessoal. Na seqüência, Jesus fala aos discípulos sobre as preocupações da vida. E fecha de uma forma sensacional (Lucas 12.29-31):

Não busquem ansiosamente o que comer ou beber; não se preocupem com isso. Pois o mundo pagão é que corre atrás dessas coisas; mas o Pai sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois o Reino de Deus, e essas coisas lhes serão acrescentadas. (grifo meu)

O interessante é que, em nenhum lugar as Escrituras se opõem ao enriquecimento. O problema é quando as riquezas (ou qualquer outra coisa, seja a família, o trabalho, uma coleção, um hobby, um esporte) viram o "deus" das nossas vidas. Mais interessante ainda é o trecho que eu grifei e nunca tinha parado para pensar sobre isso. Deus sabe que nós necessitamos das coisas, no caso do texto, especificamente o que comer e o que beber, ou seja, as coisas básicas para nossa sobrevivência. Pensando no Sermão do Monte, onde o nosso próximo assume uma importância vital, acredito que o ciclo se fecha.

Independentemente de você acreditar ou não na Bíblia, penso que é o ensinamento prático é pertinente. Se nós pararmos de pensar apenas em nós mesmos quando planejamos um novo negócio, um curso universitário, como aplicar nossas finanças, talvez teremos menos pessoas preocupadas com o que comer, o que beber, o que vestir, graças ao espírito solidário e ao amor ao próximo. Mas, enquanto nós estivermos guardando tudo em nossos próprios celeiros, pensando nos dias da nossa aposentadoria, de uma hora para a outra uma ultrapassagem perigosa pode acabar com nossos sonhos e, como será que escreverão nosso obituário? O que realmente de importante nós fizemos? Que diferença fizemos?

Dica
Conheça o projeto 6EMEIA, e veja artes como a da foto abaixo:

"Jingle Bells, Jingle Bells, acabou..."

Desculpe! Não resisti ao título de total mau gosto, mas ele veio automaticamente depois que li o título de uma nota da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo de 02/10: ""ACABOU O PAPEL". A nota é sobre o fim da versão impressa do Diário Oficial do Poder Judiciário.
O jornal, com quase 80 anos de existência, desde segunda-feira (1º/10) só pode ser acessado pela Internet, através do site www.dje.tj.sp.gov.br. O tribunal vai economizar cerca de R$ 5 millhões por ano e deixar de usar 17 toneladas de papel por dia, volume da tiragem média de 10 mil exemplares. Todas as páginas do Diário da Justiça são assinadas digitalmente, com base em certificado emitido no padrão ICP-Brasil.
O fim do papel no Poder Judiciário também está na instalação do Fórum Digital da Freguesia do Ó, inaugurado no último dia 26 de junho e do Juizado Especial Digital, inaugurado em dezembro de 2006, na estação São Bento, do Metrô.
Como quinta-feira é dia de jornalismo, a partir deste fato ocorrido com o Diário Oficial, fiquei pensando na questão do jornal impresso. Eu, particularmente sou fã do jornal impresso. Sou assinante há quase 20 anos e tento ler o máximo, na medida do possível. E, acabo me sentindo como aqueles saudosistas que ainda mantêm uma vitrola (ou pick-up) e conservam seus Long Plays. Tudo bem, eu também sou desses...
Na verdade, a notícia impressa conseguiu vencer a notícia vinda através das rádios e da TV. Nestas últimas duas, é preciso atenção e, a não ser que você grave o programa, se algo não foi compreendido, perdeu-se. Claro que, com isso, prevaleceu a superficialidade. Com o jornal, não. Tudo é escrito, revisado, editado, reeditado. E também é possível, ao leitor, reler, rever, repensar, comparar. Claro que na Internet isso também é possível, com o adicional de som, imagem e referências a outras matérias através de links. Porém, na minha opinião, a leitura na tela dos computadores ainda é muito cansativa, além de não oferecer uma posição confortável. Por essas e outras, ainda acredito que o jornal impresso sobreviva.
Mas, a evolução tecnológica nos atropela. Já há protótipos de telas maleáveis, no tamanho aproximado de uma folha de jornal ou no tamanho A4, chamado e-paper (e-papel). O que nos permite vislumbrar o que deve vir pela frente. Será que, ao invés de bancas de jornal, teremos postos de download com a última edição. Talvez, até mais de uma edição diária, uma pela manhã, outra à tarde e outra à noite. As possibilidades são infinitas. E, o lugar comum é válido: Quem viver, verá!

O passado no presente
Falando em jornal, um grande processo de digitalização tornará possível a pesquisa do histórico jornal Última Hora que, sobre a batuta de Samuel Wainer, fez história entre as décadas de 50 e 70 do século passado. O projeto é do Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Outros acervos digitalizados:
Revista Time - Super Interessante - O Cruzeiro

Bom de Ângulo
Já que uma jornalista (?) foi capa da Playboy deste mês, graças à importância (??) do fato, também não poderia deixar de ser capa dos principais jornais do país. E, fotos de divulgação à parte, a melhor fotografia foi, sem dúvida, do Bruno Miranda, da Folha, durante a entrevista coletiva de Mônica Veloso. Por isso, rendeu a nossa singela Capa da Semana:

Tudo entregarei - ou - Tudo receberei?

Recentemente, ouvi Mercedes Benz, com Janis Joplin, na rádio e não pude conter um pensamento: "Esse deveria ser o hino oficial de algumas igrejas, inclusive a que está com sede em Miami...". Já anotei e aproveitei para colocar no DoxaBrasil Online esta semana, já que na próxima quinta-feira faz 37 anos que a cantora morreu.

Janis Lyn Joplin nasceu em 19/01/43. Na juventude, destacava-se pela luta a favor da integração racial. A música desta semana faz parte do álbum Pearl, que foi lançado em 1971, após sua morte. Joplin morreu aos 27 anos, em virtude de uma overdose de heroína, em um quarto de motel em Los Angeles. Drogas e polêmica eram uma mistura que fazia parte da vida da cantora, o que dá prá perceber bem em uma matéria da Trip sobre a visita de Joplin ao Brasil, no carnaval de 1970.

Sobre a música, segundo o site oficial da cantora, Joplin nunca recebeu a tal Mercedes. Mas, desfilava com um carro bem ao seu estilo. É o Porsche Cabriolet Super C 1965 da foto abaixo, obra de Dave Richards.

Oh Lord, won't you buy me a Mercedes Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends.
Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
So Lord, won't you buy me a Mercedes Benz?

Oh Lord, won't you buy me a color TV?
Dialing For Dollars is trying to find me.
I wait for delivery each day until three,
So oh Lord, won't you buy me a color TV?

Oh Lord, won't you buy me a night on the town?
I'm counting on you, Lord, please don't let me down.
Prove that you love me and buy the next round,
Oh Lord, won't you buy me a night on the town?

Everybody!

Oh Lord, won't you buy me a Mercedes Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends,
Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
So oh Lord, won't you buy me a Mercedes Benz?

That's it!

[Minha] Tradução livre
Senhor, por que você não me compra uma Mercedes Benz?
Todos meus amigos dirigem Porsches, não posso ficar atrás
Trabalhei duro até aqui, sem ninguém prá me ajudar
Então, Senhor, por que você não me compra uma Mercedes Benz?

Senhor, por que você não me compra uma TV em cores?
"Dialing For Dollars" [programa da TV americana] está tentando me encontrar
Eu espero pela entrega, em até três dias
Então, Senhor, por que você não me compra uma TV em cores?

Senhor, por que você não me compra uma noite na cidade?
Eu conto contigo, por favor, não me deixe na mão
Prove que você me ama e pague a próxima rodada
Então Senhor, por que você não me compra uma noite na cidade?

Senhor, por que você não compra uma Mercedes Benz?
Todos meus amigos dirigem Porsches, não posso ficar atrás
Trabalhei duro até aqui, sem ninguém prá me ajudar
Então, Senhor, por que você não me compra uma Mercedes Benz?

É isso aí!


Versões
Confira a versão feita pelo Lenine com o trompetista Giorgio Li Calzi:


(Fonte: Outra Via)

E assista uma outra versão, "video remix", com banda:

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